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Plano de gastos do Tribunal de Contas levanta suspeitas de sobrefacturação

Makamavulo – Luanda O órgão supremo encarregue de fiscalizar a legalidade das finanças públicas e combater o desvio de fundos em Angola está, paradoxalmente, no centro de uma nova tempestade financeira. Informações obtidas por analistas e fontes independentes revelam que o mais recente plano de gastos internos do Tribunal de Contas (TdC) apresenta indícios gritantes de inflação de preços e sobrefaturação em contratos de bens e serviços. A revelação surge numa altura em que a liderança do Juiz Conselheiro Presidente, Sebastião Domingos Gunza, já se encontra sob forte pressão mediática devido à sua postura defensiva perante escândalos no setor empresarial público. Agora, os holofotes viram-se para dentro da própria corte, com o orçamento de funcionamento a levantar sérias dúvidas sobre a moralidade e a transparência na gestão do dinheiro dos contribuintes. Contratos Milionários sob Suspeita Especialistas em contratação pública que tiveram acesso aos documentos orçamentais apontam para discrepâncias severas nos valores adjudicados para a manutenção de infraestruturas, aquisição de frotas de apoio e serviços de consultoria externa. Em vários itens, os preços de mercado de Luanda foram multiplicados de forma injustificada, um modus operandi tipicamente associado a esquemas de sobrefaturação para o desvio de capital. "É uma ironia profunda e perigosa. O Tribunal de Contas, que tem o poder constitucional de chumbar contratos públicos por irregularidades financeiras, parece estar a validar internamente despesas que violam a Lei da Contratação Pública", comentou um jurista sénior sob anonimato. O Silêncio das Instituições e o Desgaste da Credibilidade Até ao momento, o Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do TdC — habitualmente célere a emitir notas para defender o "bom-nome" da sua direção — não se pronunciou sobre os detalhes do plano de gastos. Esta falta de esclarecimento técnico adensa a desconfiança da sociedade civil e da comunidade jurídica. Para os analistas, a incapacidade do Tribunal de Contas em manter as suas próprias contas limpas esvazia por completo a sua autoridade moral para auditar a Conta Geral do Estado (CGE) e outras fatias sensíveis do erário público angolano.

O Plano Anual de Contratação para 2026 do Tribunal de Contas de Angola, remetido ao Ministério das Finanças, está a levantar suspeitas de sobrefacturação em várias rubricas administrativas, devido às discrepâncias entre os valores executados em 2025 e os montantes previstos para este ano.

Os maiores encargos concentram-se nos serviços de telecomunicações. Segundo o documento em posse do Imparcial Press, o tribunal prevê gastar 10.685.294 kwanzas em telefonia fixa e móvel, valor idêntico ao reservado para banda larga, redes móveis, TV e publicação de despachos de nomeações e exonerações. Somados, estes cinco contratos representam 53.426.470 kwanzas.

A estes juntam-se ainda: 2.880.000 kwanzas para internet e 3.283.200 kwanzas para publicação de editais e anúncios. No total, os serviços de telecomunicações e publicações deverão custar 59.589.670 kwanzas em 2026.

Entretanto, os dados de execução orçamental de 2025 indicam que o Tribunal de Contas gastou cerca de 71 milhões de kwanzas em serviços de telecomunicações, incluindo telefonia fixa, móvel, internet banda larga, redes móveis e TV, valor considerado elevado para uma instituição pública de natureza administrativa e judicial.

Outra discrepância surge nos serviços básicos. Para 2026, o tribunal prevê gastar 4.082.660,50 kwanzas para água e 4.082.660,50 kwanzas para energia eléctrica. O custo combinado ascende a 8.165.321 kwanzas.

No entanto, em 2025, os gastos reais com água e energia foram de apenas 2.050.000 kwanzas, o que representa uma diferença de 6.115.321 kwanzas.

Também os serviços de limpeza, higiene e saneamento registam um aumento expressivo. O plano para 2026 prevê despesas de 7.500.600 kwanzas para actividades de limpeza preventiva e correctiva, conservação e higienização de tapetes.

No ano anterior, os mesmos serviços custaram apenas 2.500.000 kwanzas, revelando uma discrepância de 5.000.600 kwanzas.

Já na rubrica de materiais de consumo corrente verifica-se o cenário inverso. Em 2025, o tribunal gastou 20.385.326 kwanzas, mas para 2026 prevê apenas 6.262.839 kwanzas, uma redução de 14.122.487 kwanzas.

A diferença levanta dúvidas, sobretudo porque o número de juízes conselheiros aumentou este ano, o que teoricamente implicaria maiores despesas administrativas e não uma redução significativa.

No conjunto das rubricas comparadas, as discrepâncias ultrapassam os 25 milhões de kwanzas, alimentando questionamentos sobre os critérios utilizados pelos técnicos (Mirian da Fonseca e Edilson Pedro Eduardo) deste órgão responsável pela fiscalização das contas públicas do Estado angolano.

Por: Pinheiro Chagas

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