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ANGOLA:Revisão Constitucional sob Suspeita: Jurista Sérgio Raimundo Alerta para o Risco de um “Terceiro Mandato” Oculto no Artigo 132.º

O debate em torno da recente revisão da Constituição da República de Angola (CRA) ganhou uma nova e contundente perspetiva jurídica. O prestigiado advogado e jurista Sérgio Raimundo quebrou o silêncio para alertar a sociedade civil sobre os perigos ocultos na nova redação do n.º 1 do artigo 132.º da lei fundamental, introduzida pela reforma pontual de 2021. A polémica foi originalmente levantada pelo jornalista José Gama. Contudo, Sérgio Raimundo veio agora a público, através do programa “Conversas Essenciais” da Rádio Essencial, validar e reforçar a preocupação com argumentos jurídicos próprios. O jurista admitiu publicamente que a alteração passou inicialmente despercebida por grande parte da classe jurídica nacional. Uma "Norma-Problema" com Intenções OcultasPara Sérgio Raimundo, a formulação final do n.º 1 do artigo 132.º não foi inserida de forma inocente no ordenamento jurídico. O causídico classifica o preceito como uma "norma-problema" que, se interpretada de forma isolada, pode abrir precedentes perigosos. "Devemos continuar a refletir e a debater profundamente o tema em tela, para melhor determinarmos o que fazer imediatamente, no sentido de evitarmos surpresas, no futuro próximo, de interpretações que possam legitimar um terceiro mandato de quem quer que seja", alertou o jurista. Raimundo defende que a norma deve ser dissecada com base em critérios estritamente científicos — atendendo aos elementos gramaticais e teleológicos — e nunca com base em paixões ou emoções políticas. Contra a Perpetuação no PoderO jurista fez questão de demarcar a sua posição, sublinhando que não apoia a extensão de mandatos presidenciais ou de lideranças partidárias. Apontou ainda que a alteração de estatutos e constituições para a perpetuação no poder é um artifício que infelizmente abunda no continente africano. O posicionamento de Sérgio Raimundo surge como um apelo patriótico em defesa do princípio da unidade e harmonia da ordem jurídico-constitucional, com o objetivo único de salvaguardar o projeto de construção de um Estado de direito e democrático em Angola.

Por: Redação Makamavulo

A discussão em torno da interpretação do n.º 1 do artigo 132.º da Constituição da República de Angola (CRA) continua a agitar o cenário político e jurídico nacional. O debate, inicialmente despoletado por uma análise do jornalista José Gama , ganhou um novo e sonoro eco com o posicionamento público do reputado advogado e jurista Sérgio Raimundo , que apela a uma reflexão profunda para evitar “surpresas no futuro próximo”.

Em declarações que estão a marcar a agenda, Sérgio Raimundo confessou que a alteração introduzida pela revisão constitucional pontual de 2021 passou inicialmente despercebida a muitos profissionais do foro. Contudo, o jurista decidiu quebrar o silêncio — invocando o ditado “quem cala consente” — para expor o que considera ser uma “norma-problema”.

Uma “Norma-Problema” Introduzida em 2021

Durante a sua participação no programa “Conversas Essenciais”, da Rádio Essencial, Sérgio Raimundo alinhou-se aos alertas de José Gama, trazendo argumentos jurídicos próprios para a mesa. Em causa está a redação da parte final do n.º 1 do artigo 132.º da CRA, introduzida na revisão de 2021.

Para o causídico, a formulação final do texto não foi inocente. Raimundo sugere que a norma, se analisada de forma puramente gramatical e isolada do contexto político, poderá abrir brechas jurídicas para legitimar um eventual terceiro mandato presidencial em Angola.

“Devemos continuar a refletir e a debater profundamente o tema (…) no sentido de evitarmos surpresas, no futuro próximo, de interpretações que possam legitimar um terceiro mandato de quem quer que seja”, alertou o jurista, defendendo uma análise científica e teleológica da lei.

Defesa do Estado de Direito contra a Perpetuação no Poder

Apesar do tom de alerta, Sérgio Raimundo fez questão de clarificar a sua posição ideológica, sublinhando que não apoia, em circunstância alguma, a extensão de mandatos além dos limites democráticos. O jurista lamentou o facto de o continente africano estar repleto de exemplos onde constituições e estatutos são artificialmente alterados para garantir a sobrevivência política de líderes.

“Não defendo um terceiro mandato para quem quer que seja, quer na Presidência da República, quer na liderança de qualquer força política do país, como condição de impedir que alguém se perpetue no poder”, vincou.

O Apelo ao Debate Científico

Olhando para o futuro e para a estabilidade do país, o jurista pede que o debate se dispa de paixões ou emoções partidárias. O foco, argumenta, deve ser o respeito pelo princípio da unidade e harmonia da ordem jurídico-constitucional angolana.

Para Sérgio Raimundo, esta é uma batalha que deve ser travada a “ferro e fogo” por todos os cidadãos e académicos que acreditam no projeto de construção de um verdadeiro Estado de Direito e Democrático em Angola. A bola está agora do lado da comunidade jurídica e da sociedade civil, num debate que promete continuar a aquecer os bastidores da política angolana.

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