O maior escândalo de que há registo: Paris investiga centenas de denúncias de abuso sexual em creches e escolas

Autoridades francesas durante operação policial relacionada com investigações de abusos em instituições infantis em Paris.

Um dos maiores, senão o maior escândalo de abuso sexual em contexto escolar em França está a abalar o país, com centenas de denúncias e investigações em curso em dezenas de estabelecimentos de ensino e creches. Estão em causa alegados casos de maus-tratos, violação e abuso sexual de menores ocorridos ao longo dos últimos anos, em Paris.

Pelo menos 84 creches, 20 escolas primárias e cerca de dez estabelecimentos de educação pré-escolar estão a ser investigados pelo Ministério Público francês, após terem sido apresentadas, nos últimos cinco anos, centenas denúncias de abuso sexual e ameaças de morte a crianças. O caso está a chocar o país e já é apontado como um dos maiores, senão o maior, alguma vez registado em França.

De acordo com a imprensa francesa, a Câmara de Paris contratou vários funcionários como “animadores extracurriculares”, responsáveis por acompanhar crianças em atividades fora do horário letivo, antes e depois das aulas, bem como durante os intervalos nos estabelecimentos de ensino.

Segundo a France24, desde o início do ano, 78 funcionários municipais foram suspensos nas escolas de Paris, 31 dos quais por suspeitas de violência sexual. Já no ano passado foram suspensos 30 monitores na capital, 16 dos quais por suspeitas de má conduta sexual, segundo dados da autarquia de Paris, de acordo com a Euronews.

Há relatos de jornalistas que, infiltrados, conseguiram mesmo ser contratados em poucos minutos, sem qualquer entrevista ou verificação de antecedentes, como revelam investigações da RTL e o documentário do Cash Investigation, da estação France 2, que filmou o interior de escolas com recurso a uma câmara oculta.

Queixas acabam “esquecidas”

Apesar de alguns suspeitos terem sido alvo de dezenas de queixas por suspeitas de maus-tratos, violação e abuso sexual de menores, muitos continuam a receber salário, mesmo estando suspensos, enquanto outros foram apenas transferidos para diferentes estabelecimentos, segundo o Expresso.

Ao longo dos últimos anos, inúmeros encarregados de educação apresentaram queixa contra estes alegados “animadores extracurriculares”, após os filhos terem começado a revelar comportamentos alarmantes e relatarem situações em que afirmavam ter sido vítimas.

Um dos casos envolve dois funcionários, um homem e uma mulher, acusados de ameaçar de morte menores caso revelassem em casa o que acontecia na escola.

Em França, estão em curso vários processos judiciais relacionados com este tipo de crimes. Um dos casos envolve um monitor de 47 anos, acusado de agressões sexuais a três raparigas e assédio sexual a outras nove menores, com cerca de 10 anos, em 2024.

Para este caso, o Ministério Público pede uma pena suspensa de 18 meses e a proibição de trabalhar com crianças. A decisão será conhecida a 16 de junho. Outro processo diz respeito a um homem de 35 anos, acusado de abusar sexualmente de sete crianças numa creche, cujo julgamento deverá arrancar antes do final deste mês.

Autarca de Paris quer combater abusos sexuais

Recém-chegado à Câmara Municipal de Paris, Emmanuel Grégoire anunciou em março um conjunto de medidas destinadas a combater os abusos sexuais em atividades extracurriculares que custará cerca de 20 milhões de euros. Durante a campanha eleitoral, o agora autarca prometeu que este seria um tema de elevada prioridade no seu mandato.

Pouco tempo antes, Emmanuel Grégoire chegou a admitir ter sido vítima de violência sexual na infância, durante atividades de natação fora do horário escolar.

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