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27 de Maio: 49 anos depois, familiar recorda Rui Alberto e Miguel Godinho entre as vítimas da repressão em Angola

Fotografias históricas de familiares angolanos recordados entre as vítimas da repressão política do 27 de Maio de 1977.

Luanda — Na passagem de mais um 27 de Maio, data que continua marcada pela dor e pela memória de milhares de famílias angolanas, um sobrevivente da repressão política de 1977 recordou publicamente, pela primeira vez em quase cinco décadas, dois familiares desaparecidos durante a violenta perseguição conduzida pelo Estado angolano e executada pela então Direção de Informação e Segurança de Angola (DISA).

Rui Alberto Augusto de Sousa e Miguel Godinho Sebastião, conhecidos no seio familiar como primos e irmãos de convivência, desapareceram durante a repressão desencadeada após os acontecimentos de 27 de Maio de 1977.

Segundo o testemunho familiar, ambos eram militares das FAPLA e foram atingidos pela onda de detenções e perseguições que se espalhou por várias províncias do país.

“Na passagem de mais um 27 de Maio recordo aqui pela primeira vez, 49 anos depois, dois dos meus familiares, os meus primos como irmãos, o Rui e Godinho, que desapareceram do nosso mundo na sequência da brutal repressão conduzida pelo Estado angolano”, relata o familiar sobrevivente.

Filhos de duas irmãs do pai do declarante, Rui Alberto e Miguel Godinho nasceram em Luanda em 1956, tal como o próprio autor do testemunho, com apenas alguns meses de diferença entre eles.

Rui Alberto Augusto de Sousa nasceu em janeiro. O autor do relato em março. Miguel Godinho Sebastião, conhecido por Ngó, em agosto do mesmo ano.

Os três acabaram envolvidos no mesmo momento trágico da história nacional.

Rui Alberto foi detido em Luanda no próprio dia 27 de Maio de 1977. O sobrevivente foi preso no dia seguinte, 28 de Maio, também em Luanda. Já Miguel Godinho desapareceu em Benguela, embora a data exata da sua detenção ou morte continue ainda sem confirmação.

Dos três, apenas um regressou com vida.

Depois de 22 meses de reclusão, o sobrevivente conseguiu sair da prisão. Rui Alberto e Miguel Godinho nunca mais voltaram.

Nenhum dos dois deixou descendentes diretos.

Quase cinco décadas depois, a ausência continua viva na memória da família.

Em gesto de homenagem e continuidade, dois dos filhos do sobrevivente receberam os nomes dos familiares desaparecidos.

O testemunho surge numa altura em que continuam a ser reveladas novas informações sobre os acontecimentos de 1977, enquanto prosseguem investigações, pedidos de esclarecimento histórico e abertura de valas comuns em diferentes regiões do país.

Passados 49 anos, a memória do 27 de Maio permanece como uma das páginas mais dolorosas da história contemporânea de Angola.

Para muitas famílias, o tempo não apagou a dor.

A ausência continua presente.

E a espera por verdade e justiça permanece aberta.

Redação Makamavulo | Especial Memória Histórica

By xac4o

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