O Banco Nacional de Angola autorizou os bancos a utilizarem o yuan chinês para a constituição das suas reservas obrigatórias em moeda estrangeira, ao lado do dólar americano e do euro.
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O Banco Nacional de Angola autorizou os bancos a utilizarem o yuan chinês para a constituição das suas reservas obrigatórias em moeda estrangeira, ao lado do dólar americano e do euro.

O mecanismo da decisão

Até ao momento, os bancos comerciais a operar em Angola eram obrigados a bloquear uma percentagem dos seus depósitos em moeda estrangeira junto do banco central exclusivamente em dólares americanos ($\text{USD}$) ou em euros ($\text{EUR}$).

Ao incluir o yuan ($\text{CNY}$), o BNA oferece uma flexibilidade inédita às instituições financeiras. Este mecanismo persegue vários objetivos imediatos:

Redução da pressão sobre o dólar: A economia angolana sofre ciclicamente com a escassez de notas verdes. Permitir a utilização do yuan alivia a procura no mercado de câmbios local.

Otimização dos custos de transação: Os bancos deixarão de ter a necessidade sistemática de converter os seus ativos em yuans para dólares apenas para cumprir as exigências regulamentares do BNA

As motivações estratégicas: Para além da diversificação

Alinhamento com a realidade comercial

A China é, há largos anos, o maior parceiro comercial de Angola, absorvendo a maior parte das exportações de petróleo bruto e fornecendo grande parte dos bens de equipamento e de consumo. Utilizar a moeda do principal parceiro comercial em instrumentos de política monetária é um reconhecimento direto desta interdependência económica.

Gestão e reembolso da dívida

Angola detém uma dívida bilateral significativa com a China (nomeadamente com o China Development Bank e o Exim Bank of China). Ao incentivar a circulação e o armazenamento do yuan no sistema bancário nacional, Luanda facilita a estruturação dos fluxos financeiros dedicados ao serviço dessa dívida, limitando o risco cambial associado às flutuações do dólar.

O movimento global de “desdolarização”

Esta decisão insere-se igualmente numa tendência macroeconómica mais ampla observada nos países emergentes (com destaque para os BRICS+). Muitas nações africanas e asiáticas procuram diversificar as suas reservas cambiais para se protegerem contra a volatilidade da política monetária norte-americana (subidas de taxas da Fed) e o impacto de sanções internacionais ocidentais.

3. Os impactos esperados no setor bancário e na economia

Para os bancos comerciais

As instituições financeiras angolanas passam a poder diversificar a gestão de risco das suas carteiras. Aquelas que possuem uma forte base de clientes importadores e exportadores ligados ao mercado chinês verão as suas operações simplificadas e os custos operacionais reduzidos.

Para as empresas e comércio bilateral

A medida deverá estimular a utilização do yuan na liquidação direta de transações comerciais (trade settlement). Os importadores angolanos poderão pagar aos fornecedores chineses diretamente em renminbi, eliminando as taxas de dupla conversão ($\text{AOA} \rightarrow \text{USD} \rightarrow \text{CNY}$).

Para a estabilidade da moeda nacional (Kwanza)

A médio prazo, se uma parte significativa das trocas e das reservas migrar para o yuan, isso poderá ajudar a estabilizar a cotação do Kwanza ($\text{AOA}$), reduzindo os choques de liquidez periódicos causados pela volatilidade no acesso ao dólar americano.

Nota de perspetiva: Embora esta abertura ao yuan represente um passo importante rumo à soberania financeira e à diversificação, o dólar americano deverá manter o seu papel predominante no curto prazo. Isto deve-se ao facto de a fixação do preço global do petróleo bruto — a espinha dorsal da economia angolana — continuar indexada a contratos de referência internacionais em $\text{USD}$.

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