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Tal Eliaz, e Voimoy Atia,tramam Jú Martins na Sede Nacional do MPLA

Tal Eliaz, Jú Martins e Voimoy Atia em imagem ilustrativa sobre alegada trama envolvendo a Sede Nacional do MPLA em Luanda

Divulgação de gravações íntimas envolvendo o secretário Jú Martins levanta suspeitas de infiltração tecnológica e eventual retaliação internacional ligada a antigos parceiros empresariais

Luanda — O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) enfrenta um dos episódios mais sensíveis dos últimos anos, após a circulação massiva, nas redes sociais e em canais digitais, de conteúdos audiovisuais de natureza estritamente privada atribuídos a João de Almeida Azevedo Martins, conhecido politicamente como “Jú Martins”, atual Secretário para os Assuntos Políticos e Eleitorais da formação política no poder.

O caso ganhou rapidamente dimensão nacional, não apenas pelo perfil do dirigente envolvido, mas sobretudo pelo local onde, segundo análises preliminares, parte das gravações poderá ter sido captada: o gabinete de trabalho do dirigente no interior da Sede Nacional do MPLA, em Luanda.

A exposição do também mandatário da candidatura do Presidente João Lourenço à liderança partidária reacendeu debates internos e públicos sobre privacidade, ética política, segurança institucional e vulnerabilidades tecnológicas dentro das estruturas estratégicas do partido governante.

Investigação interna aponta para espionagem tecnológica

Fontes ligadas à direção do MPLA admitem que a linha de investigação mais consistente afasta a hipótese de uma simples violação doméstica ou de uma ação improvisada recente.

A suspeita em análise aponta para uma operação de espionagem com origem remota e tecnicamente estruturada, ligada a um diferendo empresarial ocorrido há cerca de doze anos.

A tese em avaliação é de que imagens e informações privadas tenham sido recolhidas através de acesso indevido e encriptado aos sistemas de videovigilância (CCTV) instalados tanto na residência privada como no gabinete de trabalho do dirigente.

Segundo apurou este jornal, esses sistemas terão sido montados no passado por empresas associadas a cidadãos estrangeiros que, em determinado período, mantiveram ligações empresariais com Jú Martins e cujas relações terminaram em litígio judicial.

Antigos parceiros israelitas sob suspeita

O histórico que sustenta a investigação envolve nomes conhecidos do setor empresarial e já referenciados anteriormente em processos judiciais em Angola.

Entre os nomes citados está Tal Eliaz, empresário israelita que teve forte presença em negócios no país e enfrentou litígios relevantes ligados ao setor empresarial angolano. Registos judiciais indicam que Eliaz chegou a cumprir pena efetiva na Comarca do Cavaco, em Benguela, no contexto de conflitos societários e processos relacionados com crimes financeiros.

Outro nome mencionado é Voimoy Atia, também conhecido como Royi Atia, antigo parceiro empresarial do mesmo círculo. Fontes judiciais recordam que o empresário esteve sujeito, em momentos distintos, a medidas de coação determinadas pela Procuradoria-Geral da República e pela Direção Nacional de Investigação e Ação Penal.

A principal suspeita analisada internamente é de que credenciais remotas de administração possam ter permanecido ativas durante anos, sem conhecimento direto do utilizador final, sendo acionadas agora num momento de elevada sensibilidade política — precisamente quando se intensifica a dinâmica eleitoral interna do MPLA.

Caso ganha dimensão de segurança nacional

Com a evolução das informações, o processo deixou de ser tratado apenas como assunto de foro privado.

Dentro dos círculos institucionais, o episódio já é interpretado como um potencial incidente de segurança e contraespionagem, sobretudo por envolver estruturas sensíveis de um partido que lidera o Estado angolano.

Especialistas em segurança digital ouvidos por este portal alertam que o caso evidencia riscos associados à contratação de serviços tecnológicos estratégicos sem auditorias independentes e sem controlo institucional permanente.

A possibilidade de acessos remotos prolongados a sistemas de vigilância levanta preocupação adicional: a de que outros espaços sensíveis ligados ao aparelho político e institucional possam partilhar vulnerabilidades semelhantes.

PGR e SIC poderão aprofundar investigação

Face à gravidade do caso, cresce a expectativa em torno de eventual intervenção da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Serviço de Investigação Criminal (SIC) para apurar a origem técnica da intrusão, identificar eventuais responsabilidades e determinar se houve comprometimento de outras infraestruturas ligadas ao Estado ou ao partido.

Enquanto isso, o episódio continua a provocar forte repercussão política e social em Luanda, num momento particularmente delicado da vida interna do MPLA.

A dimensão do caso ultrapassa a esfera pessoal de um dirigente e projeta um debate mais amplo sobre segurança institucional, soberania digital e os riscos da guerra política travada através da tecnologia.

By xac4o

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