Luanda – Nos últimos tempos, circulou nas redes sociais e em alguns órgãos de comunicação social informações ainda não confirmadas sobre uma eventual candidatura do general Fernando Garcia Miala, actual responsável máximo do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SINSE), à Presidência da República, em substituição do actual Presidente, general João Lourenço, caso seja eleito.
NOTA: Este artigo não se propõe a analisar o mérito constitucional ou legal dessa eventual candidatura. Essa tarefa cabe aos juristas, aos órgãos competentes e às instâncias próprias, caso a intenção venha a ser oficialmente confirmada. O nosso foco é apenas político e institucional: o que significaria, para o Estado angolano, uma candidatura com o perfil do general Miala?
A confirmar-se, entendemos que a candidatura do general Fernando Miala pode representar uma oportunidade rara para reduzir a excessiva interferência partidária no funcionamento do Estado. Mais do que uma simples alternância de figuras, estaríamos diante da possibilidade de repensar o próprio modelo de governação vigente em Angola.
Embora uma eventual candidatura do general Miala tenha, inevitavelmente, de ser sustentada por um partido político, muito provavelmente o MPLA, importa sublinhar um dado essencial: Fernando Miala nunca foi um político de carreira, nem um militante partidário conhecido. Esse facto, por si só, confere-lhe uma margem considerável de neutralidade institucional e uma maior capacidade de agir como árbitro do sistema político, e não como seu actor principal.
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