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Governo Angolano e as Autoridades Judiciais Violam Direitos Humanos no Caso São Vicente: Empresário Lança S.O.S. por Risco de Vida na Cadeia de Viana

Fotografia em plano médio do empresário angolano Carlos Manuel de São Vicente. Ele veste um fato (terno) escuro, camisa branca e gravata de padrão discreto. Está posicionado em um ambiente interno iluminado, olhando diretamente para a câmera com uma expressão séria e formal.

Carlos Manuel de São Vicente exige libertação imediata por razões médicas, humanitárias e legais perante o agravamento crítico do seu estado clínico e desobediência do Estado às directivas da ONU.

Luanda — Em mais um capítulo que expõe a grave crise no sistema de justiça e o desrespeito pelos direitos humanos em Angola, o empresário Carlos Manuel de São Vicente, detido desde Setembro de 2020 no Estabelecimento Penitenciário de Viana (EPV), lançou um apelo dramático e contundente. Através do manifesto intitulado “1.º S.O.S. – Libertação por razões médicas, humanitárias e legais para salvação urgente do meu rim e da minha vida”, São Vicente denuncia que as autoridades judiciais e o Governo angolano estão a violar activamente os seus direitos fundamentais à vida e à integridade física.

O Requerente afirma estar sob risco iminente de perda total da função renal e do rim esquerdo, além de exposto a infecções graves, sépsis e morte, caso o Executivo continue a negar a autorização para uma cirurgia urológica a laser, agendada para o próximo dia 16 de Junho em Lisboa.

Deterioração Clínica no Epicentro de um Surto de Cólera

Segundo a exposição — remetida directamente ao Presidente da República, João Lourenço, à Assembleia Nacional, aos tribunais superiores e à Procuradoria-Geral da República (PGR) —, a saúde do empresário sofreu um declínio severo nas últimas semanas. O documento detalha crises agudas de hematúria (sangue na urina), fortes dores renais e picos perigosos de tensão arterial, que chegaram a atingir o valor crítico de 220-116 mmHg no início de Maio.

A actuação das autoridades prisionais e judiciais assume contornos ainda mais graves devido à atual situação de insalubridade no Estabelecimento Penitenciário de Viana. No S.O.S., o empresário denuncia que a cadeia enfrenta um surto de cólera que já afectou pelo menos 83 reclusos, evidenciando a falta de higiene, a má qualidade da água e a severa sobrelotação do espaço. Para a defesa, a manutenção do paciente num ambiente com este nível de risco biológico configura uma violação directa das Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Reclusos (Regras de Mandela).

Cronologia de Abusos: Lawfare e Desprezo pelas Decisões da ONU

Para além do quadro clínico de emergência, o manifesto de Carlos Manuel de São Vicente apresenta uma cronologia detalhada do processo judicial (Processo nº 827-21-B), demonstrando que a sua permanência na prisão é sustentada por uma sequência de ilegalidades, nulidades processuais e perseguição política dirigida também à sua família (descendentes do falecido primeiro Presidente de Angola, Dr. António Agostinho Neto).

Entre as principais violações apontadas pelo empresário, destacam-se:

  • Desobediência à ONU: Em Novembro de 2023, o Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias da ONU aprovou a Opinião nº 63/2023, que declarou a prisão de São Vicente ilegal e arbitrária, exigindo a sua libertação imediata. O Governo angolano ignora deliberadamente esta deliberação há mais de dois anos.
  • Retenção Ilegal e Excesso de Prisão: O documento argumenta que as autoridades judiciais violam o próprio Código Penal angolano. O empresário já cumpriu os requisitos para beneficiar de Liberdade Condicional desde Junho de 2024 (quando atingiu metade da pena) e preencheu os requisitos de soltura por dois terços da pena em Setembro de 2025. O prolongamento do cárcere é classificado como “obstrução e denegação de justiça”.
  • Tentativa de Coacção Patrimonial: A denúncia aponta ainda que a Direcção do Serviço Nacional de Recuperação de Activos (SENRA) utilizou a privação de liberdade como mecanismo de pressão para forçar a entrega do património familiar, oferecendo contrapartidas financeiras que foram recusadas pelo empresário por se declarar totalmente inocente.

As Cinco Exigências Centrais para Travar a Violação de Direitos

Faltando escassos dias para o prazo limite da sua intervenção médica, Carlos Manuel de São Vicente formaliza cinco pedidos urgentes ao Estado e às instâncias judiciais:

  1. Libertação imediata, em conformidade com os prazos legais ultrapassados e o excesso de prisão;
  2. Autorização urgente para assistência médica especializada em Lisboa, visando a remoção do cálculo renal e do cateter duplo J;
  3. Acompanhamento logístico e institucional para as cirurgias e tratamentos complementares necessários;
  4. Devolução das quatro habitações da sua família (esposa, filhos e netos), pondo fim ao exílio forçado;
  5. Garantia imediata de condições mínimas de dignidade pessoal e familiar.

O manifesto encerra com uma advertência firme às autoridades angolanas e um apelo à comunidade internacional. O documento foi enviado com conhecimento ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU, aos Relatores Especiais das Nações Unidas para a Independência de Juízes e sobre a Tortura, à Cruz Vermelha Internacional, à Amnistia Internacional e à Human Rights Watch, alertando que a omissão diante deste quadro clínico coloca em risco directo a vida do recluso.

Por: Antonio Garcia

Fotografia em plano médio do empresário angolano Carlos Manuel de São Vicente. Ele veste um fato (terno) escuro, camisa branca e gravata de padrão discreto. Está posicionado em um ambiente interno iluminado, olhando diretamente para a câmera com uma expressão séria e formal.
Grito de socorro institucional: Detido desde setembro de 2020 no Estabelecimento Penitenciário de Viana, Carlos Manuel de São Vicente acusa o Executivo e os tribunais de cometerem graves violações de direitos humanos e ignorarem prazos legais de soltura. (Foto: Arquivo)
By xac4o

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