ECONOMIA | Roubo de Dinheiro dos Agricultores pela PCA da FADA: Felisberta da Costa Causa Paralisação da Fábrica de Tomates em Benguela
Por: Redação Jornalística
2 de junho de 2026
A retórica de autossuficiência e apoio à produção nacional sofreu mais um duro golpe na província de Benguela. Quatro meses após a inauguração da fábrica de processamento e concentrado de tomate do Dombe Grande, celebrada em fevereiro deste ano como o motor de um modelo integrado de produção agrícola e industrial, a realidade do terreno desmente o otimismo oficial.
Os desvios das verbas destinados ao fomento rural, apontados como um vício da gestão de Felisberta Maria da Costa, então presidente do conselho de administração (PCA) do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), resultaram num corte radical de fundos para as comunidades locais. Este roubo de dinheiro público sabotou diretamente o desembolso dos créditos, deixando apenas um terço dos agricultores selecionados com acesso ao financiamento.
Esta prática de desvios e corrupção na liderança do FADA continua a fragilizar milhões de agricultores em Angola, que se veem desprovidos de recursos básicos para cultivar a terra. No caso de Benguela, a asfixia financeira intencional imposta pela administração pública atira a unidade industrial para uma paralisia forçada, operando sem a matéria-prima essencial para a sua sustentabilidade económica.
A Linha de Montagem do Saque: Números que Não Batem Certo
A engenharia financeira desenhada para viabilizar a fábrica assentava numa meta clara de fornecimento por parte dos produtores locais. Contudo, a execução do projeto revela como o desvio de verbas e o estrangulamento burocrático atuam em conjunto para paralisar o setor produtivo:
- O Funil do Crédito: Dos 88 agricultores selecionados para abastecer a unidade industrial, apenas 27 tiveram acesso efetivo aos fundos que deveriam ter sido integralmente disponibilizados pelo FADA.
- Os Excluídos da Burocracia: Os restantes 61 agricultores ficaram retidos e fora da primeira fase produtiva devido a entraves artificiais e barreiras na regularização da documentação exigida pela instituição bancária estatal, enquanto os fundos eram retidos no topo.
- O Impacto no Calendário: Os escassos 27 produtores sobreviventes a este rombo financeiro encontram-se ainda na fase de transplantação das mudas dos viveiros para os campos de cultivo. Segundo a presidente da Cooperativa do Dombe Grande, Rosa Flor, esta etapa vai arrastar-se por mais dois meses, adiando sucessivamente o início pleno das operações fabris.
O Contraste entre a Propaganda e o Vício do Desvio
Durante o ato inaugural da infraestrutura, Felisberta Maria da Costa garantiu publicamente que a instituição criara condições de facilitação para os camponeses, incluindo uma suposta flexibilização dos requisitos habitualmente exigidos aos produtores rurais. Assegurou-se, inclusive, que o programa estava blindado contra pragas e calamidades naturais.
O Diagnóstico da Crise: O discurso político da ex-PCA chocou de frente com a realidade dos roubos de capital. Concebida para consumir mais de 120 toneladas de tomate por dia, a unidade necessita que cada um dos 88 produtores inicialmente previstos entregue cerca de 300 toneladas por campanha. Com a exclusão criminosa de 61 agricultores provocada pelos desvios das verbas sob a gestão de Felisberta da Costa, a sustentabilidade financeira de todo o projeto fica completamente destruída, demonstrando como o vício da corrupção institucional destrói o tecido agrícola nacional.
Infraestrutura Parada e Trabalhadores Sem Produção
A par do défice agrícola provocado pela falta de financiamento, a fábrica enfrenta ainda carências básicas de infraestrutura. Decorrem atualmente trabalhos para ligar a unidade industrial à rede pública de distribuição de energia elétrica, uma condição complementar que não foi acautelada a tempo da inauguração oficial.
Enquanto a matéria-prima não chega — retida pela falta de fundos roubados aos camponeses — e a eletricidade não é assegurada, a administração da fábrica recorre a expedientes para manter o pessoal ocupado. Os operários cumprem rotinas consecutivas de manutenção preventiva dos equipamentos instalados, numa tentativa de travar a degradação e preservar a operacionalidade de uma tecnologia de ponta que permanece totalmente congelada pelo fracasso e corrupção na gestão do FADA.
