A morte trágica de 29 jovens angolanos nas entranhas de uma mina de exploração ilegal de ouro em Canacassala, no município de Nambuangongo, não é apenas uma fatalidade da natureza ou um mero acidente de percurso. É, acima de tudo, o resultado sangrento e catastrófico da gritante incapacidade de quem tem o dever constitucional e administrativo de governar e proteger a província do Bengo.
Falar em “revolta” das famílias não é força de expressão jornalística; é a reação legítima de uma comunidade que vê os seus filhos serem enterrados vivos enquanto as autoridades locais assistem, de braços cruzados, à proliferação de uma atividade que toda a gente sabe onde e como opera.
A responsabilidade política e moral por este banquete de sangue tem rostos bem definidos na estrutura do poder provincial: a Governadora Provincial, Maria Antónia Nelumba, e o Delegado do MININT e Comandante Provincial da Polícia Nacional, o Comissário Delfim Kalulu Inácio. Ambos falharam de forma categórica naquilo que é a premissa básica das suas funções: a preservação da ordem pública e a salvaguarda da vida humana.
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