As finanças da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) continuam em rota de colisão. Pelo segundo ano consecutivo, a concessionária nacional registou uma quebra severa no seu desempenho financeiro, acumulando prejuízos reputacionais que ameaçam a estabilidade do sector mais estratégico da economia angolana.
Segundo o relatório de contas mais recente, o resultado líquido da ANPG afundou 69,23%, fixando-se em 258,119 mil milhões de kwanzas em 2025. Esta derrocada consolida uma tendência alarmante para a instituição: em 2023, os lucros situavam-se nos 2,4 biliões de kwanzas, despencando para 839,017 mil milhões no ano seguinte, até atingirem o patamar crítico atual. A agência aponta a variação cambial como principal justificação para o declínio, mas os problemas estruturais e de gestão parecem ir muito mais além.
O “Buraco” Milionário dos Fundos de Abandono
A par do tombo financeiro, o grande fantasma que ensombra a contabilidade da ANPG é o Fundo de Abandono — destinado a cobrir os custos com a desativação e recuperação ambiental de campos petrolíferos.
O auditor independente responsável por analisar as contas voltou a emitir um alerta vermelho, evidenciando uma discrepância milionária de 565 mil milhões de kwanzas nas “contas a receber” do referido fundo. Este verdadeiro “buraco” contabilístico levanta sérias dúvidas sobre a transparência da gestão interna e o destino real dos recursos que deveriam salvaguardar o futuro ambiental e infraestrutural do país.
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