A ambição de transformar Angola num hub logístico e de aviação para o continente africano esbarra numa barreira criada pela própria gestão estatal. Desde o quarto trimestre de 2024, o país ostenta o título de ter as taxas aeroportuárias mais elevadas de África, mantendo valores fixados de forma rígida em cerca de 2 mil dólares. Ao ignorar os apelos do mercado e da Associação das Companhias Aéreas Africanas (AFRAA), as autoridades demonstram uma profunda desconexão com as tendências financeiras e operacionais da economia mundial.
No cenário macroeconómico atual, a flexibilidade e a competitividade são as chaves para a sobrevivência no comércio internacional. Atualmente, o sector aéreo global enfrenta uma forte pressão decorrente da subida do preço do combustível (fuel). Diante disso, a tendência económica mundial dita que os países adaptem as suas políticas tarifárias para oferecer incentivos e manter as rotas comerciais atrativas.
Ao manter as suas taxas inalteradas no topo do ranking continental, o Governo angolano falha em ler o mercado:
- Falta de Atualização: Enquanto concorrentes regionais ajustam custos para captar companhias aéreas, Angola permanece estática, demonstrando uma política fiscal e económica desatualizada.
- Isolamento de Mercado: Companhias preferem, logicamente, operar em países com aeroportos muito mais movimentados que, ironicamente, cobram menos para aterrar e descolar do que Angola.
Especialistas do sector apontam que esta postura cria um ambiente de negócios altamente hostil e menos competitivo. O comércio internacional moderno depende diretamente da conectividade; contudo, as ligações de Angola com o resto do continente africano continuam a ser diminutas.
“A redução das tarifas aeroportuárias poderia potencialmente impulsionar os níveis de tráfego.”
— Alerta da Associação das Companhias Aéreas Africanas (AFRAA)
Ao recusar-se a rever os preços para baixo, o Governo não só ignora este aviso técnico, mas também sabota o fluxo de passageiros e de carga pesada (importações e exportações), encarecendo toda a cadeia de abastecimento interna.
Não é possível construir uma placa giratória de comércio internacional operando com as taxas mais caras da região. A insistência nas taxas próximas dos 2 mil dólares prova que o modelo de governação económica em Angola continua focado na arrecadação imediata de receitas fiscais, em vez de focar na sustentabilidade e no volume de negócios a longo prazo. Se o país quiser, de facto, fazer parte das rotas financeiras globais, precisará de atualizar a sua mentalidade e alinhar as suas práticas com a realidade competitiva do comércio global.
