↗ MERCADOS
USD/AOA 920,00 ▲
EUR/AOA 1.075,00 ▼
GBP/AOA 1.245,00 ▲
USD/EUR 0,86 ▼
OURO USD 3.380 ▲
BRENT USD 67,40 ▲
BTC/USD 111.000 ▼

Plano de Bento Kangamba para se Declarar Inocente do 27 de Maio de 1977 no Moxico

LUENA — Rios, valas comuns e a farsa do desconhecimento geográfico do crime político no leste de Angola.

No xadrez da memória histórica de Angola, a tática mais eficaz para escapar aos fantasmas do passado não é negar o crime, mas baralhar o calendário. O recente discurso público e as aparições mediáticas do empresário e político Bento dos Santos “Kangamba” — incluindo a sua calculada entrevista ao programa GOZ’Atv — acenderam os alarmes de investigadores e historiadores da dinâmica militar do leste do país. Sob a capa de uma narrativa de “superação pessoal” e “patriotismo no mato”, esconde-se uma operação cirúrgica de cosmética biográfica desenhada para um único fim: desvincular o seu nome, as suas origens e a sua ascensão de qualquer conexão com o aparelho repressivo que se consolidou a partir do 27 de Maio de 1977.

Para quem domina a análise de metadados e a cronologia das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), o discurso de Kangamba não é apenas confuso; é uma cortina de fumo deliberada para afastar o escrutínio sobre os massacres e a localização exata das valas comuns no Moxico profundo.


A Fraude Cronológica: O Rapaz de 11 Anos no Moxico Profundo

A biografia oficial que a elite política consome aponta que Bento Kangamba nasceu a 6 de julho de 1965 no Luena. Pelas contas da história aberta, no dia 27 de Maio de 1977, o hoje influente dirigente do MPLA tinha rigorosamente 11 anos de idade.

É aqui que a investigação jornalística desmonta a tese da inocência por omissão geográfica. Na tentativa de fixar a sua imagem pública exclusivamente nos combates da década de 1980 contra a UNITA, Kangamba e a máquina de propaganda que o rodeia omitem a crua realidade das frentes de combate da 3ª Região Militar na transição dos anos 70.

No Moxico profundo daquela era, a linha que separava o combatente adulto do menor de idade era inexistente. As bases militares das FAPLA estavam povoadas por crianças e adolescentes integrados na logística de sobrevivência, no carregamento de munições e no sistema de estafetas. Forjar uma ignorância sobre os rios e valas onde eram depositados os corpos dos rotulados como “nitistas” é uma tentativa vã de apagar a conivência institucional.

MAKAMAVULO

Continue a ler

Esta notícia continua disponível para leitores registados do MAKAMAVULO. Entre na sua conta ou faça o cadastro gratuitamente para continuar a leitura.

Cadastro gratuito
Esqueceu a senha?

Depois de entrar, regressará automaticamente a esta notícia.

-Publicidade-
Publicidade
ENTRAR
Makamavulo