MAKAMAVULO NEWS | HISTÓRIA DE ÁFRICA | MEMÓRIA COLONIAL
Em 1958, a Bélgica apresentou ao mundo uma exposição internacional dedicada ao progresso e à modernidade. Mas, por detrás da celebração tecnológica, centenas de congoleses foram transportados para Bruxelas e integrados numa encenação colonial que os transformava em objetos de observação pública. O episódio, conhecido como o último grande “zoológico humano” belga, permanece um símbolo da desumanização associada ao colonialismo europeu em África.
Por Makamavulo News | História, Colonialismo e Direitos Humanos
Bruxelas, 1958: a modernidade europeia e a humilhação colonial
Em pleno século XX, quando o mundo discutia o progresso científico, a igualdade e os direitos humanos, a capital belga acolheu um espetáculo que hoje constitui um dos episódios mais controversos da história colonial do país.
A Exposição Universal de Bruxelas, conhecida como Expo 58, foi inaugurada em abril de 1958 e recebeu milhões de visitantes de diferentes partes do mundo.
Entre os pavilhões dedicados à tecnologia, à indústria e às realizações das nações participantes, a Bélgica instalou uma representação da vida congolesa, apresentada como uma aldeia tradicional africana.
Na época, o Congo encontrava-se sob administração colonial belga. A independência da atual República Democrática do Congo só seria proclamada em 30 de junho de 1960.
Os congoleses apresentados na exposição não eram tratados apenas como participantes numa demonstração cultural. A própria organização do espaço, concebido para ser observado por visitantes europeus, reproduzia uma visão colonial que colocava a população africana numa posição de exotismo e inferioridade.
A chamada aldeia congolesa tornou-se, assim, um exemplo da forma como as exposições coloniais procuravam transformar sociedades inteiras em objetos de curiosidade.
Mais de 600 congoleses levados à Bélgica
De acordo com o Museu Real da África Central, em Tervuren, mais de 600 congoleses chegaram à Bélgica no contexto da Expo 58.
Durante o dia, cerca de 120 eram apresentados ao público nos chamados Jardins Tropicais, numa área especialmente preparada para representar uma aldeia congolesa.
À noite, eram alojados no edifício do Centro de Acolhimento para o Pessoal Africano (CAPA), em Tervuren, afastados do centro de Bruxelas.
A exposição pretendia promover as realizações da administração colonial belga e justificar a sua presença no Congo, precisamente numa altura em que as reivindicações de independência se tornavam cada vez mais fortes.
Belgium
Quando os visitantes atiravam bananas e moedas aos congoleses
A experiência dos participantes foi marcada por episódios de racismo e humilhação.
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