Aproximam-se as eleições e o tabuleiro político começa a compor as peças.
A UNITA, depois do finca-pé quanto à tomada de posse na Comissão Nacional Eleitoral (CNE), voltou atrás e decidiu tomar posse e legitimar ou validar a decisão do Parlamento que atribuiu ao seu adversário, o MPLA, nove assentos, contra quatro do seu partido.
Se o recuo já era previsível, por ser um comportamento que faz parte da sua cultura, pressionar até à exaustão o MPLA para que, desta forma, possa obter ganhos negociais. O MPLA, “matreiro” que é, já conhece os truques da UNITA e deixa-a em banho-maria até que ela, por si só, sem pressa, deixe cair as suas pretensões.
Como um grande jogador de xadrez, o líder da UNITA fez aquilo que um grande mestre faria. Foi buscar fora do seu partido duas peças importantes: William Tonet, um jornalista e activista político respeitado no país e não só; como jurista, é um dos assessores de Venâncio Mondlane; e António Ventura, um activista dos Direitos Humanos, ligado à liderança da ONG AJPD (Associação Justiça, Paz e Democracia), um docente universitário, um combatente incansável em dar voz a quem não a tem, um catequista da Igreja Católica.
No seio da UNITA, um grupo tem vindo a criticar William Tonet por aparecer na tomada de posse com um “blêizer” africano, com as cores amarela e vermelha a sobressair. Para tais fanáticos, William Tonet vestiu as cores do MPLA, partido no poder, inimigo mortal da UNITA.
Para tais indivíduos, ele é membro do MPLA e nunca deixou de ser membro de tal partido, mesmo tendo aderido à CASA-CE, onde foi membro do Colégio Presidencial.
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