Riquinho: o empresário que ajudou a escrever páginas de ouro do basquetebol angolano
O percurso de Riquinho no apoio ao basquetebol angolano ganha uma dimensão ainda maior quando enquadrado no período difícil em que Angola atravessava anos de guerra. Segundo o relato apresentado, o empresário colocou recursos financeiros próprios ao serviço do desporto nacional, contribuindo para que o basquetebol continuasse a representar Angola e a proporcionar momentos de união e orgulho numa época marcada pelo conflito.
As grandes conquistas do basquetebol angolano não foram construídas apenas dentro das quatro linhas. Atletas e equipas técnicas foram os protagonistas dos títulos, mas, à sua volta, existiram dirigentes, empresários, patrocinadores e instituições que disponibilizaram recursos para criar condições para a modalidade crescer e competir internacionalmente.
Entre essas figuras encontra-se Riquinho, empresário associado ao apoio dado ao basquetebol numa fase particularmente sensível da história do país. O dinheiro que afirma ter investido na causa do desporto, inclusive durante o período de guerra, representa uma contribuição que, na sua perspectiva, ainda não recebeu do Estado o reconhecimento financeiro devido.
A fotografia histórica que reúne a Selecção Nacional, o então Presidente da República José Eduardo dos Santos, já falecido, responsáveis governamentais e outras personalidades simboliza uma época em que o basquetebol se transformou numa verdadeira bandeira nacional. Personalidades como o embaixador Marcos Barrica, além de membros do Governo e da sociedade angolana, são apontadas como testemunhas do envolvimento e do empenho de Riquinho no apoio à modalidade.
Uma dívida que Riquinho diz continuar por resolver
A situação assume hoje contornos de reivindicação. Segundo Riquinho, existem valores relacionados com os recursos que disponibilizou ao desporto angolano que continuam por pagar, apesar das diligências efectuadas para obter o reconhecimento da dívida.
O empresário considera particularmente difícil compreender essa situação quando a compara com outros compromissos assumidos pelo Estado relativamente a privados que apoiaram Angola durante a guerra.
De acordo com o relato apresentado, empresários que disponibilizaram viaturas e camiões para o transporte de bens durante o conflito e cujos meios foram destruídos pela UNITA tiveram posteriormente direito a compensações do Estado. O processo terá inclusive sido assinalado através de um acto formal relacionado com o pagamento dessas viaturas, realizado no Museu Central das Forças Armadas Angolanas (FAA).
É precisamente essa diferença de tratamento que alimenta a contestação: se o Estado reconheceu e compensou empresários que colocaram património privado ao serviço do país durante a guerra, Riquinho entende que os recursos financeiros que colocou ao serviço do desporto nacional também deveriam merecer reconhecimento e tratamento adequado.
Neste ponto, porém, é importante distinguir a reivindicação do empresário de uma conclusão jurídica definitiva. A afirmação de que o actual Governo do Presidente João Lourenço “nega pagar” deve ser sustentada por documentação oficial que demonstre a existência da dívida, o respectivo montante, o reconhecimento pelo Estado e uma eventual recusa de pagamento. Na ausência desses documentos, jornalisticamente é mais rigoroso escrever que Riquinho reclama valores que afirma serem devidos pelo Estado e considera não ter recebido até hoje uma resposta ou reparação equivalente.
Um legado que ultrapassa o dinheiro
Independentemente da controvérsia financeira, a discussão coloca uma questão maior: como Angola deve tratar aqueles que, em períodos particularmente difíceis, colocaram recursos privados ao serviço de causas de interesse nacional?
Riquinho não reivindica apenas dinheiro. A sua história, conforme apresentada, levanta também uma reivindicação de memória e reconhecimento.
Enquanto o país vivia a guerra, o basquetebol oferecia aos angolanos momentos de celebração colectiva. Cada título conquistado projectava internacionalmente uma imagem de Angola diferente daquela dominada pelas notícias do conflito.
Por isso, recordar aqueles que contribuíram financeiramente para criar condições para essas conquistas significa igualmente preservar uma parte da memória do desporto nacional.
Os campeões levantaram as taças dentro dos pavilhões. Mas, por detrás de cada geração vitoriosa, existiram também pessoas que investiram, organizaram, apoiaram e acreditaram. Riquinho reclama o direito de não ser apagado dessa história.
Hoje, quando Angola revisita as páginas de ouro do seu basquetebol, permanece uma pergunta que merece esclarecimento documental e institucional:
se outros empresários foram compensados pelos recursos colocados ao serviço do país durante a guerra, por que razão a reivindicação financeira de Riquinho continua, segundo o próprio, sem solução?
