POLÍTICA SIM, POLITIQUICE NÃO: O ESQUECIMENTO DOS VETERANOS DA PÁTRIA E O DEVER DE JUSTIÇA SOCIAL
Por: Redação de Notícias / Análise Editorial
Luanda, Angola
A dignidade daqueles que sacrificaram a juventude, a integridade física e a própria vida pela soberania e paz de Angola voltou ao centro do debate público. Num manifesto contundente e emocionado, o ativista e apresentador Rafa da Banda lançou um apelo direto às autoridades institucionais — com especial destaque para o Ministério da Defesa Nacional e Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria — denunciando a situação de abandono em que vivem milhares de desmobilizados e veteranos de guerra no país.
Sob o lema “Política Sim, Politiquice Não”, o interveniente expõe o contraste gritante entre o sacrifício histórico dos antigos combatentes e a dura realidade socioeconómica que enfrentam na atualidade.
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As imagens que acompanham o manifesto revelam cenários de extrema vulnerabilidade: antigos soldados amputados, a viver em habitações precárias de pau-a-picade e sem acesso a um subsídio digno que cubra as necessidades básicas de subsistência.
“Quem dá a sua vida, o seu corpo e a sua alma em benefício dos outros nunca deve ser esquecido nem tampouco abandonado”, sublinhou Rafa da Banda. “Será que valeu a pena defender com honra, dignidade, garra e coragem para hoje serem completamente entregues à sorte?”
O apresentador contrapõe a situação de privação dos veteranos à atribuição facilitada de bens e terrenos a figuras públicas da cultura ou das redes sociais, questionando a inversão de valores na distribuição do reconhecimento público e institucional no país.
Um Apelo à Consciência Nacional e Institucional
Rafa da Banda, que se identificou como filho de um antigo combatente, frisou que a dor do abandono afeta diretamente as famílias daqueles que combateram nas matas e nas frentes de batalha. O manifesto apela ao fim do julgamento social e à criação de uma “corrente forte” de solidariedade para que o Estado garanta a inclusão real e a proteção social a estes cidadãos.
“Se hoje temos paz, é porque eles sacrificaram as suas vidas em detrimento da maioria. A política tem espaço, mas para politiquices aqui não haverá espaço”, concluiu.
Enquadramento e Desafios da Proteção Social
A situação dos antigos combatentes permanece um dos desafios estruturais mais sensíveis na sociedade angolana pós-conflito. Embora existam programas oficiais de cadastramento, atribuição de pensões e integração socioeconómica, relatos vindos de várias províncias continuam a evidenciar assimetrias na distribuição de apoios e dificuldades no acesso a cuidados de saúde especializados para mutilados de guerra.
O apelo lançado ganha relevância num momento em que a sociedade civil exige maior transparência, justiça distributiva e a valorização efetiva daqueles que constituem a memória viva da história recente de Angola.
