JORNALISMO DE INVESTIGAÇÃO | TRANSPARÊNCIA FINANCEIRA E CONTROLO PÚBLICO
Por: Redação de Investigação Makamavulo
Localidade: Luanda / Pireu / Mindelo
Classificação: Contratos Públicos | Transporte Marítimo | Anticorrupção
A retórica oficial apresentava o projeto como um marco de soberania e modernização da rota de cabotagem Luanda–Soyo–Cabinda. No entanto, documentos de navegação transatlântica e registos internacionais de corretagem naval obtidos pelo portal Makamavulo revelam um enredo de omissões técnicas, intermediações obscuras e uma discrepância orçamentamental que ultrapassa os 8 milhões de dólares.
O caso envolve a aquisição do navio Tchiowa, recebido com aparente solenidade pelas altas instâncias do Executivo angolano. Por trás da narrativa governamental de uma embarcação de topo de gama, a nossa investigação reconstituiu a rota física e financeira de um negócio sob forte suspeita de sobrepreço.
I. A Metamorfose Documental: De balsa costeira a “Ro-Pax Oceânico”
Durante o ato formal de inauguração, o Ministro dos Transportes, Ricardo d’Abreu, e os responsáveis da estatal Secil Marítima classificaram o navio como uma embarcação “Ro-Pax Oceânica” de 93 metros, construída em 2025 na Grécia. O montante orçamentado e faturado ao Estado ascendeu a 13,2 milhões de dólares (mais de 12 mil milhões de kwanzas).
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