Expansão internacional da cimenteira angolana levanta questões sobre prioridades de investimento num momento em que o mercado nacional enfrenta constrangimentos de produção e voltou a recorrer às importações. Empresa afirma, entretanto, que uma das suas prioridades é normalizar o fornecimento de cimento em Angola.
REDACÇÃO
A CIMENFORT (Cimenfort Cimentos de Angola, S.A.) foi fundada e é controlada maioritariamente pelo grupo empresarial angolano Grupo Carrinho.
Estrutura de Propriedade e Acionistas:
- Grupo Carrinho: É o acionista maioritário e proprietário do complexo industrial da Cimenfort na província de Benguela. O Grupo Carrinho adquiriu a totalidade e a consolidação do ativo para fortalecer a sua presença na indústria pesada e nos materiais de construção em Angola.
- Origem da Sociedade: A empresa foi criada no âmbito de parcerias de investimento privado direcionadas ao desenvolvimento da indústria de cimento na região centro-sul do país, passando posteriormente a integrar a carteira de ativos industriais do Grupo Carrinho.
Enquanto Angola procura ultrapassar dificuldades no abastecimento de cimento, uma empresa angolana do mesmo sector prepara um investimento de aproximadamente 10 milhões de dólares em São Tomé e Príncipe, onde pretende instalar uma unidade de moagem e processamento destinada tanto ao consumo interno como à exportação.
A situação abre uma questão económica que merece escrutínio: por que razão capital empresarial angolano está a financiar nova capacidade industrial no estrangeiro num período em que a indústria cimenteira nacional ainda enfrenta limitações produtivas?
A pergunta não significa que investir no exterior seja, por si só, prejudicial a Angola. A internacionalização de empresas nacionais pode gerar receitas, exportações e novos mercados. O ponto que precisa de ser investigado é outro: se existem recursos para expandir operações fora do país, quais investimentos estão simultaneamente a ser realizados para recuperar a capacidade produtiva instalada em Angola?
Cimenfort produz muito abaixo da capacidade instalada
A questão ganha dimensão porque a própria Cimenfort reconheceu problemas significativos na sua operação angolana.
Em Maio de 2025, a empresa estava a produzir apenas 35% da sua capacidade instalada de 1,4 milhão de toneladas por ano. Segundo declarações do coordenador comercial da fábrica citadas pelo Valor Económico, entre as causas encontravam-se a escassez de clínquer, dificuldades de manutenção, avarias de equipamentos e constrangimentos económicos.
A própria Cimenfort posteriormente explicou que a pressão dos custos em kwanzas perante despesas em dólares, incluindo combustível, manutenção e matérias-primas, além da inflação, desvalorização cambial e dificuldades no acesso a divisas, afectava a actividade industrial.
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