Défice Energético em Angola: Críticas ao Discurso Oficial Acentuam Cobranças sobre Gestão do Setor
LUANDA — As recentes declarações do ministro da Energia e Águas de Angola, João Baptista Borges, revelando que cerca de metade da população angolana continua sem acesso à eletricidade, reanimaram fortes críticas da opinião pública e de setores da sociedade civil quanto à eficácia das políticas públicas para o setor.
Em entrevista concedida à Televisão Pública de Angola (TPA), o governante assegurou que o investimento público está prioritariamente direcionado para cobrir as necessidades de eletrificação do território e atender às populações desprovidas do serviço. Contudo, a permanência do problema ao longo de sucessivos mandatos tem gerado contestação sobre a aplicação dos recursos públicos e a falta de soluções concretas após décadas de gestão.
Superávit Energético vs. Falta de Distribuição
Durante a sua intervenção, João Baptista Borges defendeu o aproveitamento da atual capacidade de produção do país através da exportação do excedente energético para nações vizinhas, como Namíbia, Zâmbia e República Democrática do Congo (RDC). O ministro enfatizou que a criação de interligações regionais — financiadas por investimento privado — permitirá dinamizar o mercado energético da África Central e Austral e gerar receitas para o Estado.
Apesar da justificativa técnica de transformar o superávit em vantagem económica, críticos e analistas apontam para o contrassenso de projetar a exportação de energia enquanto milhões de cidadãos angolanos enfrentam privações diárias no abastecimento doméstico. O contraste entre os discursos de investimento contínuo e a persistência de carências estruturais reacende o debate sobre a transparência, a fiscalização dos custos e a real estratégia do executivo para o setor energético em Angola.
