É com o coração aflito, mas também com elevado sentido de responsabilidade, que partilho convosco esta reflexão, tendo em conta a forma atípica como o Presidente ACJ tem, ao longo desses anos, conduzido alguns dos dossiers sensíveis da vida da nossa organização. Faço-o, porém, com confiança na vossa maturidade política, no vosso sentido de responsabilidade e no vosso comprometimento com a causa patriótica da UNITA.
O propósito desta reflexão não é alimentar divisões, mas chamar a atenção para questões que considero fundamentais e que exigem de todos nós serenidade, coragem e sentido patriótico, para encontrarmos saídas capazes de preservar a identidade política, histórica e institucional da nossa organização.
Tem sido prática da actual liderança do Partido desencadear determinados debates e iniciativas fora das estruturas formais da UNITA e, posteriormente, procurar arrastar o Partido para esses mesmos propósitos, sem que tenha sido previamente criado um verdadeiro ambiente de debate, consulta e participação das estruturas e dos militantes de base.
Entre as iniciativas que merecem a nossa atenção, destacam-se:
- O projecto de destituição do General João Gonçalves Lourenço do cargo de Presidente da República;
- O chamado Pacto de Estabilidade, anunciado a partir de Portugal, sem a necessária participação e discussão prévia no seio dos membros da Comissão Política;
- A criação da Ampla Frente Patriótica Unida, depois do fracasso da FPU, marcado pela saída do Dr. Abel Chivukuvuku e de Francisco Viana da plataforma;
- E, agora, somos surpreendidos por uma notícia inicialmente tornada pública pelo Novo Jornal e posteriormente reproduzida por vários portais, dando conta da intenção de legalizar a FPU junto do Tribunal Constitucional.
É recorrente esse método indutivo de ACJ que consiste em trazer assuntos ou problemas externos para dentro da UNITA começando de fora como vimos atrás. Cria factos a partir de fora dando a entender que a questão foi já debatida internamente mas só depois convoca o comité permanente para o plebiscito. Assim foi também o surgimento da FPU que não foi debatida no XIII Congresso mas foi apresentada como deliberação do magno evento.
Desde 2020, o Movimento de Resgate tem vindo a alertar permanentemente os membros do Partido e não só, para determinados compromissos assumidos pela actual liderança, que, na nossa avaliação, colocam em risco a identidade política e histórica da UNITA e contribuem para a sua progressiva descaracterização no cenário político angolano.
Entre as figuras associadas a este processo, destaca-se o General Higino Carneiro, que, em 23 de Março de 2023, através da LAC, terá aconselhado publicamente os dirigentes da UNITA para esquecerem da história da Jamba e, consequentemente, do projecto de Muangai. Uma afirmação de alcance político e histórico contra a UNITA que, na nossa percepção, não mereceu resposta por parte dos responsáveis da actual direcção do Partido.
É neste contexto que devemos analisar a anunciada intenção de legalização da FPU.
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