Angola: O Futuro Não Pode Ser Hipotecado por Alianças de Circunstância
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Angola: O Futuro Não Pode Ser Hipotecado por Alianças de Circunstância

A eventual transformação da Frente Patriótica Unida em coligação eleitoral gera apreensão no seio da UNITA, com vozes críticas a alertarem para o risco de descaracterização do partido e de captura por interesses externos.

Por: Filipe Mendonça

Académico e membro sénior da UNITA

Luanda — Têm circulado diversas versões sobre a posição crítica relativamente à estratégia de transformar a Frente Patriótica Unida (FPU) numa coligação de direito e de facto para os próximos pleitos eleitorais. A iniciativa, atribuída ao Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior (ACJ), tem gerado intenso debate sobre os rumos da oposição e a preservação da identidade partidária.

Alguns sectores defensorem que o MPLA não será derrotado por manifestações nostálgicas do passado ou pela participação isolada da UNITA, mas sim através de uma ampla aliança com outras forças políticas e a sociedade civil. Embora o exercício de cidadania deva ser respeitado, importa recordar que a UNITA demonstrou a sua força eleitoral ao vencer o partido no poder nas eleições de 2012 e 2017 — triunfos amplamente comprovados em conferências de imprensa da altura, quando o próprio ACJ exercia as funções de porta-voz do partido.

Decisão Fora dos Órgãos do Partido

A eventual legalização da FPU como coligação formal apresenta sérias reservas jurídicas e políticas internamente:

  • Ausência de Mandato: A formalização de uma coligação eleitoral não resulta de qualquer deliberação dos órgãos internos da UNITA. O XIV Congresso Ordinário do partido não aprovou a integração da organização numa coligação para as próximas eleições.
  • Influência Externa: A iniciativa é associada aos mesmos mentores do processo de destituição presidencial e do Pacto de Estabilidade — actores externos ao partido, frequentemente apelidados de “Marimbondos”. O objectivo subjacente seria regressar ao poder e recuperar o controlo dos recursos públicos, comprometendo o combate à corrupção e à impunidade.

Por uma Mudança Com Propósito

Angola necessita de uma mudança sustentável e patriótica, que valorize os quadros nacionais e coloque o interesse colectivo acima de agendas de grupos. Esta transformação exige uma UNITA firme na sua identidade ideológica, liderada de forma inclusiva, transparente e sem perseguições a vozes discordantes. O futuro do país não deve ser sacrificado nem hipotecado pelas dívidas morais de alianças conjunturais.

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