Assassinos de Carácter à Solta?
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Assassinos de Carácter à Solta?

Por: Ireneu Mujoco

“Não precisamos ofuscar a luz do outro para que a nossa brilhe.”Mahatma Gandhi, filósofo indiano.

A liberdade de expressão em Angola é um facto, e isso traduz que estamos num Estado Democrático de Direito, onde as pessoas expressam as suas ideias sem qualquer impedimento, diferente do que ocorre em países de regimes autoritários.

Em Angola, infelizmente, há cidadãos que aproveitam esta liberdade para transformá-la em libertinagem, difamando, caluniando e insultando, desde pacatos cidadãos a figuras públicas, com realce para os que ocupam cargos de destaque em várias esferas do Estado e do Governo.

Muitos cidadãos honestos deste país, num ápice, veem os seus nomes atirados à lama por pessoas covardes, por razões que a própria razão desconhece.

Alguns dos detractores têm nome e rosto, outros não, porque estão escondidos atrás de uma cortina de ferro, para não serem vistos, mas, mesmo assim, deixam algumas pontas soltas e estão aí à mão de semear.

São pessoas, inclusive, formadas académica e profissionalmente, mas transformaram-se em assassinos de carácter, tudo por causa do vil metal ou, se quisermos, pelo dinheiro.

São pessoas pagas para sujarem a imagem de quem não vai com a cara do pagante, por questões que deviam ser resolvidas, talvez, por um diálogo franco e aberto, que terminaria com umas palmadinhas nas costas, mas optam por denegrir a postura de uma vítima inocente.

É o que está a acontecer nos dias que correm, como se os assassinos de carácter estivessem a desafiar a lei sobre as fake news, aprovada recentemente pela Assembleia Nacional, porque ninguém ainda foi processado por difamar alguém com recurso à Internet, a nova arma de arremesso dos criminosos.

Os mais atentos, ou seja, os honestos, utilizam esta ferramenta para obter conhecimento que os possa ajudar na vida, obtendo uma formação e, posteriormente, um emprego, mas os tiranos fazem o inverso: escolheram o lado negativo, o de disseminar informações falsas para obterem lucros.

Hoje, as redes sociais e as plataformas digitais são os meios que os “malfeitores de plantão” utilizam para orquestrarem as suas investidas contra as suas vítimas, que recusam ceder à chantagem, em troca de vantagens financeiras ou materiais, para silenciarem um suposto caso comprometedor.

Governantes, políticos, polícias, militares, homens e mulheres, ninguém escapa à fúria assassina de chantagistas na Internet. A situação começa a tomar contornos alarmantes e é preciso pôr cobro a isto, porque não se pode permitir que os criminosos da Internet andem à solta, quando há tribunais.

O problema torna-se ainda mais preocupante quando a difamação e a calúnia deixam de ser casos isolados e passam a fazer parte de estratégias deliberadas para destruir reputações.

Uma acusação lançada nas redes sociais pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos, enquanto a verdade, muitas vezes, chega tarde e já encontra o estrago feito.

É preciso, por isso, distinguir a liberdade de expressão do abuso dessa liberdade. Criticar um governante, um político, um empresário ou qualquer outra figura pública é um direito que deve ser respeitado numa sociedade democrática. Outra coisa, bem diferente, é inventar factos, lançar acusações sem provas ou utilizar a Internet para destruir deliberadamente o bom nome de alguém.

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