Kabangu larga 50 milhões para congresso do CC e irrita Nimi
O financiamento privado de 70% da logística do conclave promovido pelo Comité Central aprofunda o fosso entre os históricos e a direcção do partido dos “três pretos”.
Por: Ireneu Mujoco
Luanda — A crise interna no histórico partido Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) conheceu um novo e tenso capítulo. O político e veterano nacionalista Ngola Kabangu disponibilizou a quantia de 50 milhões de kwanzas para suportar a logística do VI Congresso Ordinário organizado pelo Comité Central (CC), agendado para decorrer entre 23 e 25 de Setembro, no Complexo 15 de Março, em Viana.
A quantia injetada por Kabangu representa cerca de 70% do orçamento total do evento — estimado em 80 milhões de kwanzas —, destinando-se a cobrir os custos de transporte, alojamento e alimentação para os cerca de 1.200 delegados esperados no conclave. O militante histórico alega que o valor constitui uma “humilde contribuição” para retirar o partido da letargia e da crise de liderança, numa altura em que as contas da FNLA se encontram bloqueadas por ordem judicial, devido a dívidas acumuladas no congresso de 2021.
Ajuste de Contas e Acusação de “Quinta Coluna”
A iniciativa, contudo, caiu mal junto da direcção oficial do partido. O presidente da FNLA, Nimi-a-Simbi, reage com indignação e acusa Ngola Kabangu de agir de má-fé e de financiar uma suposta “quinta coluna” com o objectivo de dividir e fragilizar a organização no período pré-eleitoral. No seio dos militantes leais à direcção, especula-se que a doação visa pavimentar o caminho para a pré-candidatura de Carlito Roberto à liderança do partido.
O Impasse Institucional
O conflito evidencia dois calendários e duas visões opostas para o futuro da organização:
- O Congresso do Comité Central: Agendado para finais de Setembro, apoiado financeiramente por Kabangu e respaldado por quadros do partido que alegam falta de iniciativa da presidência.
- O Congresso da Direcção: Marcado pela ala de Nimi-a-Simbi para a segunda quinzena de Novembro, em alinhamento com o Acórdão n.º 1134/2026 do Tribunal Constitucional.
Enquanto os dois lados mantêm posições irredutíveis e realizam assembleias provinciais paralelas, analistas preveem que a disputa acabe novamente nos tribunais, uma vez que apenas um dos congressos poderá ser anotado pelo Tribunal Constitucional.
