As afirmações feitas pelo jornalista de investigação José Gama acerca da potencial manipulação dos resultados na CNE suscitam uma problemática que vai além das rivalidades partidárias: trata-se da idoneidade do sufrágio e da própria legitimidade do governo. De acordo com os dados veiculados, Gama indicou o local de apuramento como um provável foco de fragilidade, referindo Manuel Pereira da Silva, apelidado de “Manico”, e o comissário João Damião. Tais afirmações requerem evidências e uma averiguação autónoma, contudo, não podem ser meramente desconsideradas. Caso se manipule intencionalmente actas ou resultados de eleições, não se estará apenas a incorrer numa irregularidade administrativa: pode-se estar a cometer infrações eleitorais e penais sérias. Ao falsear a vontade dos cidadãos para alcançar ou manter o poder, ataca-se a base constitucional da nação.
Na perspetiva legal, a Constituição angolana determina que a soberania é do povo e que a autoridade governamental deve basear-se na vontade dos cidadãos, manifestada por meio de pleitos democráticos. Um possível ato fraudulento confirmado poderia prejudicar a idoneidade do processo eleitoral e justificar responsabilidades jurídicas, conforme os dados e as evidências. Em caso de falsificação de actas, alteração intencional de resultados ou impedimento da supervisão, será imperativo averiguar as responsabilidades e fazer cumprir a lei. Sob certas condições, tais ações podem constituir uma séria violação da ordem constitucional, embora a classificação jurídica precisa seja da alçada das autoridades competentes e dos tribunais. O voto não pertence à CNE, nem muito menos a qualquer formação política: é a manifestação da soberania popular. Adulterar essa manifestação seria deturpar o princípio democrático e prejudicar a legitimidade de quem viesse a governar com base num desfecho fraudulento.
Continue a ler
Esta notícia continua disponível para leitores registados do MAKAMAVULO. Entre na sua conta ou faça o cadastro gratuitamente para continuar a leitura.
Depois de entrar, regressará automaticamente a esta notícia.
