João Diogo Gaspar tapa o sol com a peneira:Cuanza Norte é uma provincia desgovernada
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João Diogo Gaspar tapa o sol com a peneira:Cuanza Norte é uma provincia desgovernada

Cuanza Norte: falta de visão estratégica é apontada como entrave à redução do custo de vida da população

Ndalatando — A província do Cuanza Norte continua confrontada com problemas sociais e económicos que afetam diretamente o quotidiano das famílias, entre os quais o acesso irregular à água potável, a escassez de oportunidades de emprego, a pobreza e a dependência de atividades de subsistência.

Neste contexto, a governação de João Diogo Gaspar, no cargo desde janeiro de 2024, é cada vez mais chamada a demonstrar uma visão estratégica capaz de transformar investimentos públicos em melhorias concretas no custo e na qualidade de vida das populações.

O desafio não se resume à construção de infraestruturas.

Para muitas famílias, a questão central é saber de que forma as políticas públicas conseguem reduzir as despesas básicas, aumentar o rendimento familiar e criar condições para que os jovens encontrem emprego e permaneçam na província.

Água potável continua a ser uma prioridade

O abastecimento de água deve ocupar um lugar central na agenda provincial.

A ausência ou irregularidade do fornecimento obriga muitas famílias a recorrer a soluções alternativas, aumentando os custos domésticos e agravando as dificuldades das comunidades mais vulneráveis.

Os dados do Censo 2024 mostram que o Cuanza Norte tinha 659.097 habitantes, sendo uma província com 17 municípios e uma população que depende de serviços públicos básicos para melhorar as suas condições de vida.

A questão que se coloca à governação provincial é se os investimentos atualmente realizados estão a responder à dimensão do problema ou se é necessária uma estratégia mais abrangente, baseada na expansão das redes de distribuição, recuperação de sistemas existentes, construção de furos e garantia de manutenção permanente.

Emprego jovem exige estratégia económicaOutro problema estrutural é a limitada capacidade de criação de emprego.

A população jovem precisa de mais do que programas pontuais: necessita de uma estratégia económica provincial capaz de transformar a agricultura, o comércio, a indústria e os serviços em fontes sustentáveis de rendimento.

Os dados mais recentes disponíveis no Instituto Nacional de Estatística incluem o Cuanza Norte no Inquérito ao Emprego em Angola do III trimestre de 2025, permitindo acompanhar a realidade laboral provincial através de indicadores oficiais.

Mais do que anunciar iniciativas, a administração provincial deveria apresentar metas mensuráveis: quantos empregos serão criados, quantas empresas serão apoiadas, quantos jovens serão integrados no mercado de trabalho e qual será o impacto desses programas no rendimento das famílias.

Habitação social não resolve, por si só, o custo de vida

A construção de habitação social representa uma resposta importante para famílias que vivem em condições precárias.

No entanto, uma política habitacional eficaz precisa estar acompanhada de água, energia elétrica, saneamento, transportes, escolas, unidades sanitárias e oportunidades económicas.

Caso contrário, corre-se o risco de transferir famílias de zonas vulneráveis para novos espaços residenciais sem resolver integralmente as causas da vulnerabilidade.

É neste ponto que a governação de João Diogo Gaspar enfrenta um dos seus principais desafios: passar de uma política centrada na execução de obras para uma estratégia integrada de desenvolvimento humano e económico.

Agricultura pode ser uma das respostas

O Cuanza Norte possui condições para reforçar a agricultura familiar e desenvolver cadeias de produção capazes de abastecer os mercados locais.

Mas produzir mais não é suficiente.

É necessário garantir estradas, armazenamento, transformação, financiamento, mercados e preços que permitam ao produtor obter rendimento.

Uma estratégia provincial de redução do custo de vida poderia, por exemplo, aproximar produtores dos consumidores, estimular mercados agrícolas locais e incentivar pequenas unidades de transformação de produtos alimentares.

Isso permitiria atacar simultaneamente três problemas: emprego, rendimento familiar e preços dos alimentos.

A questão central: que modelo de desenvolvimento para o Cuanza Norte?

A crítica à governação de João Diogo Gaspar não deve ser entendida apenas como uma avaliação pessoal do governador, mas como uma discussão sobre a capacidade institucional de apresentar soluções estruturais para problemas que persistem há vários anos.

O próprio Governo de Angola identifica João Diogo Gaspar como governador do Cuanza Norte desde 17 de janeiro de 2024.

A partir desse período, torna-se legítimo avaliar a governação com base em resultados concretos: acesso à água, criação de emprego, dinamização económica, melhoria das condições habitacionais e redução das dificuldades enfrentadas diariamente pelas famílias.

A população precisa de mais do que anúncios de investimentos.

Precisa de resultados que sejam sentidos no bolso, na torneira, no emprego e na mesa.

Por isso, a principal interrogação que se coloca à actual administração provincial é se existe uma visão estratégica suficientemente integrada para transformar o potencial económico do Cuanza Norte em melhoria efetiva das condições de vida.

Sem uma política que combine água, agricultura, emprego, indústria, habitação, transportes e redução dos custos de produção e distribuição, os investimentos poderão continuar a produzir obras sem necessariamente produzir uma redução significativa do custo de vida.

O Cuanza Norte possui recursos, território e potencial humano.

O desafio da governação de João Diogo Gaspar será demonstrar que esse potencial pode ser convertido em rendimento, emprego, serviços públicos eficientes e melhores condições de vida para a população.

Autor

  • Redação Makamavulo

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