MERCADOS
USD/AOA 920,00
EUR/AOA 1.075,00
GBP/AOA 1.245,00
USD/EUR 0,86
OURO USD 3.380
BRENT USD 67,40
BTC/USD 111.000

Intolerância política e o desafio democrático de Angola rumo a 2027

REDACÇÃO : IRENEU MUJOCO

19 de Setembro de 2026

À medida que Angola se aproxima das eleições gerais de 2027, episódios de intolerância, discursos hostis e confrontação entre apoiantes de diferentes forças políticas voltam a colocar no centro do debate uma questão fundamental: a disputa pelo poder deve ocorrer dentro das regras democráticas, sem transformar adversários políticos em inimigos.

Angola entra progressivamente num período de maior mobilização política com vista às eleições gerais de 2027. Com esse movimento cresce também a responsabilidade dos partidos, das instituições do Estado, da sociedade civil, das igrejas, da comunicação social e dos próprios cidadãos na preservação de um ambiente político em que a divergência possa existir sem violência.

A preocupação não é meramente teórica. Em Fevereiro de 2026, o Novo Jornal noticiou manifestações de preocupação de membros da sociedade civil e líderes religiosos com episódios de intolerância política no Huambo, num contexto de tensão envolvendo apoiantes do MPLA e da UNITA. Os interlocutores ouvidos pelo jornal alertaram para discursos de ódio, fanatismo e para os riscos que esse ambiente pode representar para a reconciliação nacional.

O problema merece atenção justamente porque Angola conhece profundamente as consequências da confrontação política transformada em conflito. A democracia oferece outro caminho: competição eleitoral, debate público, liberdade de expressão, fiscalização das instituições e decisão dos cidadãos através do voto.

Divergência não pode significar inimizade

Defender a continuidade do partido que governa ou defender uma alternância política são posições legítimas no espaço democrático. Nenhuma delas, porém, concede o direito de ameaçar, agredir ou retirar dignidade a quem pensa de maneira diferente.

A própria Constituição estabelece que os partidos políticos participam na formação e expressão da vontade dos cidadãos através de meios democráticos e pacíficos. Determina igualmente que as formações políticas devem contribuir para a defesa da democracia, das liberdades fundamentais e dos direitos da pessoa humana.

Isto significa que a responsabilidade não termina nos dirigentes partidários. Militantes, simpatizantes e estruturas de comunicação — incluindo os grupos organizados que atuam nas redes sociais — também influenciam o ambiente político.

As redes sociais ampliaram extraordinariamente a capacidade de participação dos cidadãos, mas igualmente a velocidade com que insultos, acusações sem prova, desinformação e mensagens hostis podem circular. A liberdade de expressão deve ser protegida; ao mesmo tempo, o debate democrático beneficia quando crítica política, denúncia e fiscalização não se confundem com ameaça ou incitamento à violência.

Lideranças têm uma responsabilidade acrescida

MAKAMAVULO

Continue a ler

Esta notícia continua disponível para leitores registados do MAKAMAVULO. Entre na sua conta ou faça o cadastro gratuitamente para continuar a leitura.

Cadastro gratuito
Esqueceu a senha?

Depois de entrar, regressará automaticamente a esta notícia.

-Publicidade-
Publicidade
ENTRAR