Internautas criticam discurso de Ernesto Mulato membro da UNITA
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Internautas criticam discurso de Ernesto Mulato membro da UNITA

O político da UNITA e brigadeiro na reforma das Forças Armadas Angolanas (FAA), Ernesto Mulato, afirmou, recentemente, que, em 2002, após a morte de Jonas Savimbi, em combate, na província do Moxico, as FALA, antigo braço armado do partido, ainda tinham capacidade para prosseguir a guerra.

O pronunciamento, feito por ocasião das comemorações do aniversário natalício do presidente fundador da UNITA, Jonas Savimbi, que completaria 92 anos, no dia 3 de Agosto, gerou acesos debates nas redes sociais.

Vários internautas classificaram-no como “embusteiro” e “irresponsável”, considerando que a afirmação contraria a forma como decorreram os últimos combates travados pelas Forças Armadas Angolanas, que culminaram com o fim do conflito armado.

Um internauta escreveu que Mulato fez essa afirmação porque não viveu as últimas agruras da guerra no terreno, uma vez que se encontrava no estrangeiro, como diplomata em representação da UNITA.

Segundo o autor do comentário, se tivesse vivido aquele contexto, provavelmente manter-se-ia em silêncio.

Outro utilizador acrescentou que o político da UNITA e antigo deputado à Assembleia Nacional desrespeitou o sofrimento por que passaram os seus correligionários desde a retomada do conflito, no final de 1999, após a queda das bases das FALA no Bailundo, Mungo, Andulo, Nharea e noutras localidades, até à morte de Jonas Savimbi.

O mesmo internauta sustenta que, se não fosse a ordem do então Presidente da República e Comandante em Chefe das FAA, José Eduardo dos Santos, para que as tropas no terreno poupassem a vida da população e dos militares rendidos, o destino de muitos capturados poderia ter sido cruel.

Na sua opinião, José Eduardo dos Santos demonstrou sentido de Estado e humanismo, permitindo salvar a vida de muitos angolanos que, depois de anos de sofrimento nas matas, conseguiram reconstruir as suas vidas.

Quem também se insurgiu contra o pronunciamento de Ernesto Mulato foi o antigo primeiro-secretário municipal do MPLA no Cazenga, Tomás Bica, que acusou o político da UNITA de estar a induzir a juventude em erro, tendo em conta o desfecho da guerra, na qual, segundo afirmou, as FALA foram derrotadas.

Entretanto, outros utilizadores do Facebook mostraram-se mais comedidos e aconselharam o antigo representante do “Galo Negro” na Alemanha a pautar o seu discurso pela tolerância, em vez de reavivar episódios dolorosos da guerra.

Frequentemente, dirigentes da UNITA, sobretudo jovens da geração de 2000, que não acompanharam o conflito armado, minimizam os danos provocados pela guerra e, segundo críticos, alguns chegam a defender uma nova confrontação como forma de resolver problemas sociais que afectam a sociedade angolana.

Classe política, organizações da sociedade civil e igrejas têm apelado, de forma reiterada, à preservação da paz, alcançada à custa de muito sangue, suor e lágrimas. O conflito deixou um elevado número de mortos, órfãos e viúvas, além de ter paralisado a economia nacional.

Autor

  • Redação Makamavulo

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