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Governar É Resolver: As Visitas Oficiais de Ernesto Muangala Confrontadas com a Crise no Moxico

Visitar não basta: o Moxico precisa de soluções, não de fotografias

O governador provincial do Moxico, Ernesto Muangala, encerra neste domingo o ciclo de visitas às regedorias do município do Luena. Foram meses de deslocações, encontros com autoridades tradicionais, contactos com populações e levantamento de problemas.

Tudo parece politicamente correcto.

Mas existe uma pergunta que não pode continuar a ser evitada: depois das visitas, o que mudou efectivamente na vida das populações?

Porque visitar uma regedoria não é governar uma regedoria. Ouvir uma comunidade não significa, automaticamente, resolver os seus problemas. E distribuir alguns bens ou meios de emergência não pode ser confundido com uma estratégia capaz de retirar milhares de cidadãos da pobreza, da fome e do abandono estrutural.

O Moxico não precisa apenas de governantes que conheçam os seus problemas. Precisa de governantes capazes de apresentar resultados mensuráveis.

As populações sabem onde estão as escolas que faltam, os hospitais sem condições, as estradas intransitáveis, as comunidades sem água potável, os campos agrícolas sem apoio suficiente e as famílias que continuam a enfrentar enormes dificuldades para colocar comida na mesa.

Não é necessário visitar repetidamente uma comunidade para descobrir aquilo que os seus habitantes denunciam há anos.

O verdadeiro desafio começa depois da visita.

É aí que se mede a capacidade de governação: quantas escolas foram construídas? Quantas unidades sanitárias foram efectivamente melhoradas? Quantas comunidades passaram a ter água potável e energia? Quantas estradas foram recuperadas? Quantos agricultores receberam apoio capaz de aumentar realmente a produção? Quantas famílias deixaram de depender de assistência ocasional?

Sem respostas concretas a estas perguntas, a chamada Governação de Proximidade corre o risco de transformar-se numa política de proximidade apenas física, em que o governante chega perto do povo, mas as soluções continuam longe.

O problema não é chegar às comunidades. É permanecer depois das câmaras desligarem.

O Moxico tem problemas demasiado antigos para serem tratados apenas com agendas de visitas, discursos e actos simbólicos.

A fome não se combate com fotografias.

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