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DECLARAÇÃO DO MOVIMENTO TODOS SOBRE OS GRAVES ACONTECIMENTOS NO UÍGE

DECLARAÇÃO DO MOVIMENTO TODOS SOBRE OS GRAVES ACONTECIMENTOS NO UÍGE

O Movimento TODOS expressa sua profunda e inequívoca reprovação aos graves acontecimentos ocorridos hoje na província do Uíge, onde uma actividade política da UNITA foi impedida pela actuação da Polícia Nacional, utilizando gás lacrimogéneo e outros meios de força contra cidadãos que exerciam direitos políticos. É bastante lamentável e inaceitável que Angola, um país que vive formalmente em paz desde 2002, continue a presenciar cenas que relembram os períodos mais sombrios da nossa história. O MPLA, partido que governa Angola desde 1975, possui uma responsabilidade política acrescida na preservação da paz, da estabilidade e da tolerância política. Uma manifestação partidária não é uma declaração de guerra, uma actividade da oposição não constitui uma ameaça ao Estado e cidadãos desarmados não devem ser tratados como inimigos.

O Movimento TODOS considera particularmente grave que, depois de décadas de guerra, o MPLA persista em permitir um ambiente de intolerância política capaz de transformar actividades partidárias normais numa situação de confronto entre cidadãos e forças policiais. Angola possui uma Constituição, uma Assembleia Nacional e leis que consagram o pluralismo político, a liberdade de reunião e de manifestação. Se esses direitos existem no papel, devem também existir nas ruas. A Polícia Nacional pertence à República de Angola e não ao MPLA. A farda policial deve representar a Constituição e proteger todos os cidadãos, inclusive aqueles que criticam o partido no poder. Se existiu uma “ordem superior” para impedir aquela actividade, o povo angolano tem o direito de saber quem deu essa ordem, qual foi a sua fundamentação legal e por que razão uma actividade política foi tratada como uma ameaça que justificasse tamanha intervenção.

O Movimento TODOS manifesta igualmente a sua solidariedade para com todos os cidadãos afectados pelos acontecimentos no Uíge e, de forma particular, para com aqueles que foram atingidos pelo gás lacrimogéneo ou sofreram actos de intimidação. Ao mesmo tempo, queremos parabenizar a postura serena, responsável e firme do Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, que, diante de uma situação de elevada tensão, procurou controlar a multidão e evitar que a indignação dos presentes se transformasse numa confrontação directa com a Polícia. Essa atitude merece reconhecimento público, porque naquele momento existia o risco real de a tensão degenerar numa escalada de confrontos, com consequências humanas e políticas ainda mais graves. A liderança política também se mede pela capacidade de impedir que uma provocação ou um momento de revolta colectiva se transforme em violência. Ao escolher a contenção, Adalberto Costa Júnior demonstrou sentido de responsabilidade e compromisso com a preservação da paz.

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