Por Redação de Investigação
3 de Setembro de 2026
Em Angola, tornou-se hábito recorrente rotular de “encomenda política” qualquer investigação jornalística que exponha as entranhas da máquina pública. O recente ataque do executivo e dos seus amplificadores contra o portal Club-K e a organização não-governamental sul-africana Intelwatch é o mais recente capítulo dessa tentativa de desviar as atenções do essencial: a opacidade, os custos milionários e os conflitos de interesse que rondam a gestão do Ministério do Interior (MININT).
Ao contrário do que tenta fazer crer a narrativa oficial, que atribui as denúncias a meros “jogos de bastidores” ligados ao congresso do MPLA ou a “ligações familiares”, o que está em causa não é a política partidária, mas sim o rigor dos factos e o direito dos cidadãos à transparência no uso do erário público.
O Mito da “Limpeza de Mãos” e a Continuidade Administrativa
A tentativa de desresponsabilizar o atual Ministro do Interior, Manuel Homem, argumentando que determinados projetos ou contratos foram iniciados antes do seu mandato, revela um desconhecimento primário do direito administrativo — ou uma clara má-fé. No Estado, a administração é contínua.
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