O militante do Partido Liberal considera que a criação de uma “Conta Jovem Soberana”, financiada com 10% das receitas do petróleo, poderá incentivar a dependência do Estado, em vez de promover a autonomia económica e a capacidade produtiva da juventude angolana.
LUANDA — O militante do Partido Liberal, Paulo Viana, manifestou-se contra a proposta apresentada pelo presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, de criação de uma “Conta Jovem Soberana”, mecanismo que prevê a afectação de 10% das receitas petrolíferas a um fundo destinado a apoiar jovens angolanos com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos.
A iniciativa, segundo a descrição apresentada, pretende disponibilizar recursos para áreas consideradas fundamentais ao desenvolvimento da juventude, nomeadamente a formação académica e profissional, o acesso à habitação e o empreendedorismo.
Contudo, Paulo Viana entende que a medida, apesar dos objectivos anunciados, poderá produzir efeitos contrários aos pretendidos, ao incentivar uma relação de dependência financeira entre os jovens e o Estado.
Paulo Viana considera proposta prejudicial à autonomia juvenil
Na sua reacção, o militante do Partido Liberal utilizou palavras duras para contestar a visão económica defendida pelo líder do maior partido da oposição angolana.
“O Presidente da UNITA apresentou uma proposta que torna os jovens parasitas e dependentes financeiros. Em vez de ensinar a pescar, quer distribuir o peixe do petróleo”, afirmou Paulo Viana.
Para o político, a juventude angolana necessita de oportunidades concretas de inserção no mercado de trabalho, acesso à formação profissional e condições favoráveis à criação de empresas, em vez de mecanismos financeiros que, na sua interpretação, possam estimular a dependência de transferências públicas.
A crítica assenta na ideia de que o desenvolvimento económico sustentável deve resultar prioritariamente do trabalho, da produtividade, do mérito e da capacidade de iniciativa dos cidadãos.
Receitas petrolíferas no centro da divergência política
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