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João Lourenço defende reforço da AUDA-NEPAD e maior apropriação africana do desenvolvimento

João Lourenço defende reforço da AUDA-NEPAD e maior apropriação africana do desenvolvimentoEl Alamein, Egipto, 3 de Outubro de 2026 — O Presidente da República de Angola e Presidente do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, João Manuel Gonçalves Lourenço, defendeu, em El Alamein, o reforço da capacidade institucional e financeira da Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), apelando aos Estados africanos para assumirem maior responsabilidade no financiamento da instituição.A posição foi manifestada durante a Cimeira dos Membros Fundadores da NEPAD, realizada sob o lema “Os 25 anos de percurso da NEPAD à AUDA-NEPAD: Reflectir sobre o passado, concretizar o futuro”.Ao intervir na sessão de abertura, João Lourenço destacou a evolução da NEPAD desde a sua criação, em 2001, até à actual AUDA-NEPAD, sublinhando os progressos registados nos últimos 25 anos e o reforço da intervenção da Agência em áreas como infra-estruturas, sistemas alimentares, saúde, capital humano, industrialização e integração regional.O Chefe de Estado angolano considerou que a cimeira deveria representar um ponto de viragem para a Agência, através da adopção de recomendações e propostas concretas destinadas a torná-la mais ágil, eficaz e dotada das ferramentas necessárias para cumprir o seu mandato nos próximos 25 anos.Angola apela a maior financiamento africanoJoão Lourenço defendeu que o princípio segundo o qual África deve assumir a responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento deve igualmente reflectir-se no financiamento das instituições continentais.Neste contexto, recordou que Angola efectuou, no ano anterior, uma contribuição financeira voluntária para a AUDA-NEPAD e apelou aos restantes Estados signatários da NEPAD para seguirem o mesmo caminho. Segundo o Presidente angolano, um financiamento africano previsível é essencial para permitir à Agência planear as suas actividades, responder às prioridades dos Estados-Membros e levar os projectos da fase de preparação à implementação em escala compatível com os objectivos da Agenda 2063.Corredor do Lobito entre as iniciativas destacadasNa sua intervenção, João Lourenço destacou também a cooperação entre Angola, a AUDA-NEPAD e a Comissão da União Africana na organização da Cimeira de Luanda sobre o Financiamento para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África.O encontro reuniu governos africanos, instituições financeiras, investidores e representantes do sector privado para discutir formas de mobilizar recursos e acelerar projectos estratégicos de infra-estruturas.Entre as iniciativas mencionadas esteve o Corredor do Lobito, apresentado no discurso como uma infraestrutura de conectividade que contribui para aproximar mercados, apoiar sectores produtivos, reforçar cadeias de valor regionais e criar oportunidades de negócio além-fronteiras.O Presidente revelou igualmente que Angola trabalha com a AUDA-NEPAD para estabelecer uma presença da Agência no país, com o objectivo de aproximar a instituição dos Estados-Membros e reduzir a distância entre as decisões de âmbito continental e a sua implementação nacional.Cimeira encerra com apelo à execução das decisõesNa sessão de encerramento, João Lourenço afirmou que os debates permitiram avaliar os 25 anos de percurso da NEPAD e definir perspectivas para o futuro da AUDA-NEPAD.Segundo o Presidente angolano, as deliberações apontaram para uma maior apropriação africana, maior eficácia institucional e uma cultura de execução orientada para resultados. O objectivo, acrescentou, deve ser transformar as orientações políticas em resultados concretos capazes de melhorar as condições de vida das populações africanas.O Chefe de Estado salientou ainda a necessidade de adequar os projectos continentais às realidades dos Estados-Membros, defendendo uma ligação mais estreita entre as prioridades da União Africana e a implementação nacional.Para João Lourenço, a eficácia da acção continental deve ser medida pela capacidade de produzir resultados concretos no terreno, onde são implementados os projectos, realizados os investimentos e construídas as infra-estruturas.“Nenhuma declaração substitui o valor da implementação”No encerramento, o Presidente angolano sublinhou que as decisões tomadas na cimeira deverão ser acompanhadas por responsabilidades claras, mecanismos de acompanhamento regular e resultados verificáveis.Defendeu também que o Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo continue a exercer a sua responsabilidade de orientação política e supervisão estratégica, em coordenação com os Estados-Membros, a Comissão da União Africana, a AUDA-NEPAD e as Comunidades Económicas Regionais.João Lourenço concluiu apelando a um envolvimento reforçado e regular dos Membros Fundadores e dos demais Estados-Membros, para consolidar a dinâmica colectiva em torno da visão de desenvolvimento do continente.O Presidente manifestou, por fim, o desejo de que a Cimeira de El Alamein marque o início de um novo ciclo de ambição continental, assente no fortalecimento da construção de uma África mais integrada, próspera e soberana.Secretaria de Imprensa | Palácio Presidencial, Luanda, 3 de Outubro de 2026.

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