Nos últimos anos, listas informais e artigos de opinião publicados em plataformas estrangeiras — com destaque para um ensaio viral do portal The International Magz — têm circulado intensamente nas redes sociais angolanas. Estas publicações atribuem fortunas pessoais exatas a antigos decisores financeiros da era de José Eduardo dos Santos: 843,8 milhões de dólares a Mário Palhares (ex-vice-governador do BNA e fundador do BNI) e 1,2 mil milhões de dólares a José de Lima Massano (ex-governador do BNA e actual Ministro de Estado para a Coordenação Económica), alegadamente ocultados na Singapura.
Uma investigação profunda aos registos financeiros, processos judiciais e auditorias bancárias revela que estes números não são fruto do acaso, mas sim uma distorção grosseira de fundos institucionais do Estado e de relatórios de falências bancárias. Simplificando, a análise aos documentos oficiais revela que os números foram completamente trocados de lugar. O criador das listas garantiu números do Estado (dinheiro público) ou valor das empresas como se fossem fortunas pessoais incorrectamente.
O valor de 1,2 mil milhões de dólares frequentemente associado ao nome de José de Lima Massano tem uma origem documental real, mas o seu significado foi completamente adulterado na internet.
O Facto Real: Em 2014, o Banco Espírito Santo Angola (BESA) entrou em colapso devido a uma carteira de crédito malparado que ascendia a 5,7 mil milhões de dólares (o Banco faliu por empréstimo a pessoas que nunca pagaram de volta). Para evitar que milhares de angolanos perdessem as poupanças de uma vida inteira, na qualidade de regulador, o Banco Nacional de Angola (BNA), sob a liderança de Massano, teve de intervir na instituição, que mais tarde foi reestruturada como Banco Económico.
A Origem do Número: Nos relatórios técnicos de saneamento do banco e nas auditorias posteriores ao sector bancário, constam parcelas exatas de dinheiro público (via Sonangol e garantias do Estado) injectadas para salvar o banco e proteger os depositantes. Uma das parcelas de liquidez mais discutidas na imprensa económica fixou-se, precisamente, na fasquia dos 1,2 mil milhões de dólares.
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