General Higino Carneiro mantém batalha jurídica para chegar ao Congresso do MPLA
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General Higino Carneiro mantém batalha jurídica para chegar ao Congresso do MPLA

A rejeição da providência cautelar apresentada por Francisco Higino Lopes Carneiro no Tribunal Constitucional não encerra, por si só, toda a controvérsia em torno da sua candidatura à liderança do MPLA. O político poderá continuar a recorrer aos mecanismos internos e jurídicos disponíveis para contestar a decisão que o afastou da corrida ao IX Congresso do partido.

A disputa ganhou maior dimensão depois de a Sub-Comissão das Candidaturas, dirigida por Job Capapinha, ter invalidado o processo de candidatura de Higino Carneiro. Entre as questões levantadas no processo estão alegadas irregularidades relacionadas com as fichas de apoio à candidatura e o cumprimento das regras estabelecidas para o processo eleitoral interno.

A decisão do Tribunal Constitucional sobre a providência cautelar representa um revés para Higino Carneiro, mas deve ser distinguida de uma eventual apreciação definitiva de todas as questões de mérito relacionadas com a validade da sua exclusão. A controvérsia poderá, portanto, prosseguir através das vias de reclamação ou recurso juridicamente admissíveis.

Voto vencido reforça debate

Um dos elementos que ganhou particular atenção foi a existência de um voto vencido da juíza conselheira Margaret Nanga. Na sua declaração de voto, a magistrada divergiu da posição maioritária e considerou demonstrado o perigo decorrente da demora de uma decisão, tendo em conta o avanço do calendário eleitoral e os efeitos que a exclusão pode produzir sobre a candidatura.

A posição minoritária não altera o resultado do acórdão, mas acrescenta argumentos jurídicos ao debate sobre o tratamento dado ao processo de Higino Carneiro.

Outro ponto sensível envolve as alegações de existência de fichas falsas ou duplicadas. Para além da dimensão política dessas acusações, a discussão jurídica deverá determinar quais irregularidades foram efectivamente comprovadas, a quem são imputáveis e quais consequências estão previstas nas normas partidárias aplicáveis.

Também permanecem no centro da controvérsia questões como a competência dos órgãos que avaliaram a candidatura, o cumprimento do calendário eleitoral, a possibilidade de correcção de eventuais irregularidades e a observância do princípio do contraditório.

Congresso aumenta pressão sobre o processo

À medida que o IX Congresso do MPLA se aproxima, o factor tempo ganha importância. Caso uma instância competente venha posteriormente a considerar inválidos actos que determinaram a exclusão, poderá colocar-se a questão dos efeitos produzidos durante o período em que Higino Carneiro permaneceu afastado da disputa.

Por outro lado, a existência de recursos ou reclamações não significa automaticamente que Higino Carneiro tenha direito adquirido de participar no Congresso. Isso dependerá do resultado dos procedimentos ainda disponíveis e, sobretudo, de uma eventual decisão que reconheça a validade da candidatura ou determine a revisão dos actos contestados.

O caso transforma-se, assim, numa das principais batalhas jurídico-políticas que antecedem o Congresso do MPLA. Para Higino Carneiro, o objectivo permanece claro: reverter a exclusão e recuperar a possibilidade de disputar a liderança do partido.

A batalha jurídica, portanto, ainda poderá conhecer novos capítulos. A presença de Higino Carneiro no Congresso dependerá não apenas da disputa política dentro do MPLA, mas principalmente das decisões que venham a ser tomadas pelas instâncias partidárias e judiciais competentes.

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