Jornalista José Gama Alerta para Riscos de Instabilidade Política e Sucessão no MPLA
Jornalista José Gama Alerta para Riscos de Instabilidade Política e Sucessão no MPLA
Em recentes declarações prestadas em entrevista, o jornalista e analista político José Gama, diretor do portal Club-K, teceu duras críticas ao modelo de sucessão política vigente em Angola e alertou para os riscos de instabilidade institucional associados às dinâmicas internas de poder no MPLA.
Durante a sua intervenção, José Gama abordou a eventual candidatura de Higino Carneiro no seio do partido do poder, destacando que a figura reúne apoios de diversos setores internos. Segundo o analista, muitos desses apoios não decorrem necessariamente de afinidade pessoal, mas sim do interesse em contrapor e travar o modelo de indicação direta adotado pelo Presidente João Lourenço.
Crítica ao “Modelo de Monarquia” e Riscos de Golpe
O diretor do Club-K comparou a tradição sucessória do país a um modelo monárquico, relembrando o histórico de transições de poder em Angola: desde a comissão governativa após a morte de Agostinho Neto, que indicou José Eduardo dos Santos, passando pela escolha deste último em indicar João Lourenço, até ao cenário atual, em que o vigente Chefe de Estado procura igualmente indicar o seu sucessor.
Na perspetiva de José Gama, a insistência neste formato de escolha gera uma vulnerabilidade profunda e um ambiente propício à instabilidade. O jornalista alertou que a perpetuação deste modelo pode criar condições favoráveis para tentativas de rutura constitucional ou golpes de Estado.
Gama frisou que, perante o atual clima de insatisfação popular e fragilidade institucional, uma eventual tentativa de alteração da ordem constitucional por grupos dissidentes poderia contar com o respaldo ou a passividade da população e das forças militares, traçando um paralelo com eventos recentes observados em outros países do continente africano, como o Senegal.
