REPORTAGEM DE CAMPO | A VOZ DO BAIRRO
Moradores da Boa Vista, em Luanda, relatam dificuldades no acesso à água, degradação de chafarizes, vulnerabilidade de idosos e falta de oportunidades para a juventude. “Nós queremos trabalho e não criminalidade”, afirmam jovens ouvidos pela TV Novo Pungo a Ndongo.
REDACÇÃO
Luanda — Entre caminhos íngremes, habitações erguidas numa zona de encosta e famílias confrontadas diariamente com dificuldades económicas, a TV Novo Pungo a Ndongo entrou no bairro da Boa Vista para ouvir directamente a população e dar voz às preocupações de quem vive numa das comunidades mais vulneráveis da capital angolana.
A reportagem de campo, realizada no quadro do programa “A Voz do Bairro”, encontrou uma população que aponta a falta de água, a precariedade social, as dificuldades enfrentadas pelos idosos e a ausência de oportunidades de emprego como alguns dos problemas que mais afectam a vida quotidiana.
Para os moradores ouvidos pela reportagem, a Boa Vista não pode continuar a ser conhecida apenas pelos problemas de criminalidade. Há uma juventude que quer estudar, trabalhar e construir um futuro diferente, mas que reclama oportunidades para o fazer.
Água transforma-se numa luta diária
A dificuldade de acesso à água surge entre as principais preocupações apresentadas pelos residentes.
Segundo testemunhos recolhidos no bairro, vários chafarizes comunitários deixaram de funcionar adequadamente. Moradores apontam casos de vandalização e destruição de torneiras, situação que reduz os pontos públicos disponíveis e aumenta a dependência de formas alternativas de abastecimento.
Para famílias sem rendimento regular, até pequenas despesas diárias com água representam um peso adicional no orçamento doméstico.
Os residentes questionam também a forma como alguns pontos de distribuição são geridos e defendem maior transparência e participação da própria juventude da comunidade nas actividades relacionadas com o abastecimento.
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