Por Marisa Abrigada
A construção dos mitos fundacionais de uma nação muitas vezes colide com a crueza dos factos históricos e com o sentimento de gerações que continuam a carregar o fardo das decisões do passado. Em Angola, a figura do Primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto, permanece no centro de um debate acalorado que divide a memória coletiva entre a narrativa oficial do regime e a indignação daqueles que veem no seu percurso o ponto de viragem para o retrocesso social e político do país.
Para um segmento crescente da sociedade civil e de comentadores políticos, a rotulagem de Agostinho Neto como “Herói Nacional” contraria a própria realidade histórica. A crítica assenta no facto de o processo de transição para a independência ter sido marcado pela rutura unilateral dos acordos de partilha de poder com os restantes movimentos de libertação nacional (FNLA e UNITA), desencadeando uma guerra civil devastadora cujos custos humanos e materiais continuam por dimensionar.
A Herança do Alvor e as Contrapartidas Estrangeiras
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