Discurso de Abastança do Governo Confronta a Crise Severa Viva pela Juventude Angolana
No arranque do Ano Agrícola 2026/2027, o apelo do Executivo para o regresso ao campo expõe o fosso entre os números da produção nacional e a degradação das condições de vida dos jovens.
LUANDA — A cerimónia de abertura oficial do Ano Agrícola 2026/2027, realizada no município do Cuanhama, província do Cunene, ficou marcada por declarações de otimismo governamental que contrastam de forma severa com a realidade socioeconómica do país.
Ao anunciar uma produção agrícola recorde de 33 milhões de toneladas e destacar a redução das importações alimentares em 31,1% no período 2017-2025, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, exortou a juventude a “apostar no campo”. Contudo, a mensagem foi recebida por diversos setores da sociedade como um sinal de desconexão perante a crise que afeta as famílias angolanas.
Durante o evento, que contou também com intervenções do ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, o Executivo assinalou a entrega de títulos de concessão de terras numa área parcelada de 150 hectares a um grupo de jovens. A medida foi apresentada como um vetor para a fixação de quadros e introdução de novas tecnologias no setor produtivo, a par do reforço de cerca de 173 mil toneladas de fertilizantes distribuídas pelas províncias e do apoio financeiro prometido através do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA) e do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).
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