Governador do Cuanza-Norte exige maior produtividade agrícola, mas agricultores continuam à espera de incentivos e financiamento
MAKAMAVULO NEWS | ECONOMIA | AGRICULTURA | GOVERNANÇA
O governador do Cuanza-Norte, João Diogo Gaspar, apelou ao aumento da produtividade agrícola e à transformação do campo numa fonte de riqueza e emprego. Contudo, o discurso levanta uma questão fundamental: como exigir maior produção aos camponeses sem garantir financiamento acessível, mecanização, infraestruturas e políticas públicas capazes de transformar o potencial agrícola da província em desenvolvimento económico concreto?
Por Makamavulo News | Ndalatando, Cuanza-Norte
Entre o discurso político e a realidade dos agricultores
O governador provincial do Cuanza-Norte, João Diogo Gaspar, defendeu, durante as celebrações provinciais do Dia Internacional da Mulher Rural, a necessidade de aproveitar melhor as potencialidades agrícolas da região, considerando que a agricultura deve deixar de ser encarada exclusivamente como uma atividade de subsistência para se transformar numa verdadeira fonte de riqueza, emprego e desenvolvimento.
O pronunciamento, divulgado pela Agência Angola Press (ANGOP), destaca a existência de terras férteis, recursos hídricos, experiência agrícola e mão de obra, fatores que, segundo o governante, oferecem condições para transformar o Cuanza-Norte numa referência nacional na produção agrícola.
Entretanto, a mensagem oficial abre espaço para um debate sobre as responsabilidades do Governo Provincial na criação de condições materiais e financeiras que permitam aos produtores aumentar a produtividade.
A questão não reside apenas na vontade de trabalhar dos camponeses, mas também na disponibilidade de instrumentos de produção, assistência técnica, acesso ao crédito, estradas de escoamento e mercados capazes de absorver os produtos agrícolas.
Agricultores precisam de apoio, não apenas de apelos à produtividade
A crítica apresentada ao Makamavulo aponta para alegadas dificuldades persistentes enfrentadas pelos agricultores da província, nomeadamente a insuficiência de incentivos, as limitações de financiamento e a ausência de mecanismos acessíveis de apoio à produção.
Estas preocupações exigem esclarecimentos das autoridades provinciais e das instituições financeiras que operam na região.
A inexistência de uma política agrícola suficientemente estruturada e abrangente, caso se confirme, poderá comprometer a transformação do potencial produtivo em resultados económicos sustentáveis.
O desenvolvimento agrícola depende de investimentos em sementes melhoradas, fertilizantes, equipamentos, sistemas de irrigação, formação e assistência técnica.
Sem estes instrumentos, os pequenos produtores ficam particularmente expostos aos custos de produção, às dificuldades de transporte e às oscilações dos preços nos mercados.
A responsabilidade pela modernização agrícola não pode, por isso, ser atribuída exclusivamente aos camponeses.
Crédito agrícola existe, mas quantos camponeses conseguem realmente beneficiar?
Continue a ler
Esta notícia continua disponível para leitores registados do MAKAMAVULO. Entre na sua conta ou faça o cadastro gratuitamente para continuar a leitura.
Depois de entrar, regressará automaticamente a esta notícia.
