GUILHERME NEVES
“Não se alcança o poder pela via da violência”
Activista dos direitos humanos pela Associação Mãos Livres, faz uma análise sobre o ambiente pré-eleitoral que antecede as eleições de 2027 e alerta as lideranças dos partidos políticos e os seus militantes para evitarem actos de intolerância política, para que se tenham eleições pacíficas no próximo ano, como aconteceu nos outros pleitos eleitorais.
Ireneu Mujoco
Ainda faltam 10 meses para a realização das eleições de 2027, mas o clima político está a ser dominado por alguma intolerância política?
O clima de intolerância que se vive actualmente é reflexo dos resultados das eleições de 2022, em que o partido no poder, o MPLA, registou o resultado mais baixo da sua história, enquanto o seu principal adversário, a UNITA, pelo contrário, cresceu significativamente, sobretudo nos grandes centros urbanos.
Está-se a viver um momento de luta pela manutenção do poder e, por outro lado, há o risco real de uma possível alternância política. Pelo que observamos, o clima de intolerância política na contagem decrescente para as eleições de 2027 é alimentado pela disputa acirrada pelo poder, pela insatisfação social e pela desconfiança nas instituições.
Como inverter este quadro?
Para inverter o quadro, são necessárias acções de educação cívica. Mas o papel fundamental é das lideranças partidárias e das instituições públicas. Temos que ter a cultura de cobrar às lideranças dos partidos políticos e às figuras públicas discursos que unam, em vez de polarizar ou demonizar a oposição.
Mas há militantes de partidos políticos e bem identificados que, nas redes sociais, estão a incitar actos de violência?
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