OS MIXEIROS DOS MOTOQUEIROS EM 2022 ÀS AMBIÇÕES DE 2027: A MESMA MÁQUINA DE PROPAGANDA QUE PRETENDE PROJETAR MANUEL HOMEM
OS MIXEIROS DOS MOTOQUEIROS EM 2022 ÀS AMBIÇÕES DE 2027: A MESMA MÁQUINA DE PROPAGANDA QUE PRETENDE PROJETAR MANUEL HOMEM
A memória política de Luanda não pode ser apagada por estratégias de marketing nem por manobras de propaganda nas redes sociais. A tentativa em curso de projetar o atual Ministro do Interior, Manuel Homem, como potencial cabeça de lista às Eleições Gerais de 2027 traz à tona os mesmos métodos, as mesmas práticas e as mesmas figuras que protagonizaram um dos episódios mais graves de desgoverno e desrespeito popular na capital: a revolta e o calote aos motoqueiros no arranque da campanha eleitoral de 2022.
Em julho de 2022, as ruas do centro de Luanda — da Marginal ao Largo do Baleizão, passando pelas imediações da zona presidencial — transformaram-se num cenário de caos e pânico. Centenas de jovens motociclistas, mobilizados para preencher as caravanas de apoio partidário sob promessas de pagamento, viram o seu trabalho vandalizado pela ganância e pelo desvio de fundos da estrutura de campanha da capital. O resultado dessa gestão irresponsável foi a revolta aberta nas ruas, a queima de material de propaganda, confrontos violentos e disparos de armas de fogo a poucos metros das principais instâncias do poder de Estado. O dinheiro destinado a pagar os trabalhadores da mobilização desapareceu, mas a responsabilidade política nunca foi assumida.
Hoje, em 2026, os atores que orbitam e promovem a figura de Manuel Homem procuram reescrever a história. Sob a liderança de vozes informais como Wankana Mondlane Bento de Oliveira e quadros promovidos na administração local, como o atual Administrador Municipal de Belas, Wilson Jacinto Fernandes Morais, constrói-se uma narrativa artificial de “rigor” e “combate aos vícios”. No entanto, a opinião pública e as bases do país não podem ignorar a contradição: os mesmos operadores que geriram a propaganda e a mobilização da capital em momentos de crise financeira e operacional aparecem agora convertidos em paladinos da moralidade política.
A promoção de candidaturas baseadas em redes de favoritismo, distribuição de cargos a familiares e aliados, e propaganda enganosa não representa uma rutura com os erros do passado, mas sim a sua continuidade. Projetar figuras políticas sem antes prestar contas pelos fundos desviados, pelos compromissos falhados com os cidadãos e pela manipulação da juventude trabalhadora é uma afronta à transparência que o país exige.
Para cortar o mal pela raiz, a sociedade civil e os cidadãos atentos devem desmascarar as campanhas de imagem que tentam transformar antigos gestores de crises e desvios em alternativas de liderança para o país. O futuro de Angola não pode ser entregue àqueles que fizeram da propaganda uma ferramenta de ilusão e do recurso público um instrumento de ambição pessoal.
