UMA LUTA SEM GLÓRIA
Que o MPLA é um partido matreiro, isso já todos sabemos. Mas que Higino Carneiro com a sua experiência política fosse tão ‘ingénuo’, isso ninguém esperava.
Como é possível, um político tão experiente que é o general Higino Carneiro se tenha deixado enganar por pessoas que se predispuseram a fazer recolha de assinaturas para garantir a sua candidatura ao cadeirão máximo do MPLA.
Um outro, dito, candidato, fez do seu carro o escritório de campanha e passa o seu tempo nos bares, tentando convencer os que lá passam para tomar uma cerveja e, se a sorte bater à porta, conseguir umas assinaturas. O outro, o nosso grande engenheiro, o eterno candidato das reclamações e impugnações, nada faz, o silêncio tomou conta dele. Uma coisa é certa, no final vai aparecer com um grupo de advogados para impugnar o congresso dos camaradas que, para ele, é fraudulento e não representa a vontade da maioria esmagadora dos militantes.
Voltando ao general Higino Carneiro, uma pessoa que esteve sempre no centro do poder. Que sabia e sabe como as massas são manipuladas se deixou levar por ditos militantes que encabeçariam uma campanha de recolha de assinaturas junto de militantes do seu partido o glorioso MPLA e obteria o tão desejado apoio expresso dos camaradas apoiantes.
Num sistema montado ao estilo comunista em que os votos devem ser de braços levantados para que todos saibam quem são os traidores, quem são os que estão contra “o grande líder”, os camaradas apoiantes teriam coragem de dar a cara contra a decisão do partido que já indicou quem seria o “grande líder” e nas províncias e municípios, quem seriam os representantes do “grande líder”.
Pois, ao exigirem que os subscritores devessem indicar as células a que pertenciam e o nome dos seus coordenadores de CAP estava predefinido o caminho a seguir: identificar os traidores.
Perante um quadro terrível como o que foi criado, quem seria o camarada atrevido a se identificar como sendo um desafiador ao grande líder?
O general talvez tenha acordado tarde, os seus conselheiros não foram capazes de o advertir que estava a caminhar para o precipício.
As coisas estão encaminhadas a se resolver. As eleições, serão mesmo eleições, com os candidatos, se são mesmos candidatos, com a indicação prévia.
Luanda, a capital política do país, onde as coisas deveriam seguir um rumo diferente, os camaradas foram chamados a comparecerem, presencialmente, para subscreverem o apoio ao camarada Primeiro Secretário Provincial. Em outras palavras, os camaradas estão a ser coagidos a subscreverem a candidatura do governador. Verdade seja dita: em eleições livres e justas e sem coação, em Luanda, o candidato da direcção não passaria. Luanda tem militantes com experiência bastante para dirigir o partido dos camaradas, nunca seria um candidato desconhecido que, por sorte das circunstâncias, é o governador da província. Luanda não é uma província qualquer. Luanda é o centro da política e da economia. É em Luanda, onde tudo acontece. Luanda lidera e o resto é periferia.
Nas últimas eleições, a UNITA com apoio da Sociedade Civil, deixou bem claro que em Luanda não existem ‘ordens superiores’ e que a partir daqui tudo o resto cai.
O general Higino Carneiro sabe que mesmo intitulado ‘general 4X4’ foi derrotado por um ‘coelho’.
Se eu fosse militante dos camaradas diria sem medo, também, até quando o medo vai tomar conta das pessoas. Mandem de volta o ‘BENTO BENTO’, ele conhece Luanda como ninguém, ele sabe motivar as massas, tem discurso que ameaça o adversário.
General Higino faz uma pausa, peça intervalo e deixa o camarada presidente concorrer sozinho. É verdade que para um general “antes a derrota do que a vergonha de não ter lutado”. Um general não se rende, isso também é uma verdade. Nas actuais condições é preferível a rendição, igual como os ‘maninhos’ fizeram para sobreviver e se reorganizar e ganhar fôlego para a próxima empreitada
