Minoru Dondo através da sua empresa Mota-Engil negoceia compra da Odebrecht com Fraude em Angola tem conexão no Brasil
Dondo já havia aparecido em duas investigações brasileiras. No escândalo mensalão, levantamentos mostraram que uma offshore do brasileiro foi usada para remeter do Brasil para as Ilhas Caymman dinheiro para duas autoridades angolanas. Outra investigação da Polícia Federal levantou suspeitas sobre empréstimos obtidos por Dondo, junto ao BNDES, para atender encomendas do governo angolano, entre as quais a renovação dos equipamentos do Corpo de Bombeiros daquele país.
A Mota-Engil estará a negociar a aquisição de uma participação de 40% na construtora brasileira Odebrecht, avançou este domingo o jornalista Lauro Jardim, na sua coluna Radar, do jornal O Globo, citando fonte ligada à empresa brasileira.
Segundo a notícia, a entrada da Mota-Engil no capital da Odebrecht — actualmente rebaptizada Novonor — enquadra-se no processo de reestruturação financeira do grupo, que concluiu a recuperação judicial em Março e procura reforçar a sua estrutura accionista e capacidade de crescimento.
A operação, é ainda referido, permitirá à construtora portuguesa consolidar a sua presença no mercado brasileiro e ganhar posição num grupo com vasta experiência em grandes projectos de infraestruturas na América Latina, em África e no Médio Oriente. Já para a Odebrecht, a operação representa a entrada de um parceiro estratégico
A eventual aproximação entre as duas empresas ganha um significado particular à luz do percurso de ambas em Angola, onde continuam hoje a figurar entre os principais nomes da construção civil e das obras públicas.
A Mota-Engil está presente no país desde 2010 e é hoje uma das principais construtoras nacionais, com actuação centrada nas obras públicas e na construção civil, além de uma acção crescente noutras áreas de negócio. Em Luanda, o grupo é apontado, a par da angolana Omatapalo, como uma das duas empreiteiras que concentram as grandes obras públicas da capital — entre as quais a intervenção na marginal da Corimba, financiada através de uma linha de crédito portuguesa, e a nova fase da Sodima, na Praia do Bispo, em parceria com a Griner.
Já a presença da Odebrecht em Angola remonta a um período ainda mais antigo, tendo começado nos anos 70, quando a construtora brasileira redireccionou parte da sua expansão internacional para o país, na sequência do fim do “Milagre Económico” no Brasil. Entre as obras mais emblemáticas do grupo em território angolano conta-se a construção da Central Hidroeléctrica de Laúca, um dos maiores projectos de infraestrutura energética do país, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) do Brasil. Segundo dados da própria instituição financeira brasileira, entre 1998 e 2017 foram desembolsados 10,5 mil milhões de dólares para exportação de serviços de engenharia, cerca de 75% dos quais aplicados em Angola — a maior parte através de projectos liderados pela Odebrecht e por outras construtoras brasileiras.
A empresa manteve ainda, durante largos anos, uma participação directa no sector diamantífero angolano, através da Sociedade de Desenvolvimento Mineiro (SDM), joint venture criada em 1995 entre a estatal Endiama e a subsidiária Odebrecht Mining Services, para a exploração de diamantes na bacia do rio Cuango, na província da Lunda Norte. Já mais recentemente, depois do escândalo Lava Jato e da consequente reestruturação do grupo, activos da Odebrecht em Angola passaram a operar sob a marca OEC, actualmente identificada, ao lado da Mota-Engil, entre os principais operadores do sector da construção presentes no mercado angolano.
Quem é o dono da Mota-Engil
A Mota-Engil Angola pertence ao grupo português Mota-Engil, que tem como acionista principal a família Mota(através da empresa FM – Sociedade de Controlo) e conta com o grupo chinês CCCC como acionista de referência, além do empresário Valdomiro Minoru Dondo como acionista minoritário local.
O empresário angolano-brasileiro de origem japonesa, cujo universo empresarial está integrado no grupo Valdomiro Minoru Dondo ( VMD) comprou a posição de 29% da Mota-engil que estava na posse do Banco Millennium Atlântico, tal como o Negócios avançou na sua edição de 20 de março último.
A investigação apura a participação do empresário em esquema que envolve fraude, apropriação indébita, lavagem de dinheiro e corrupção, com prejuízos estimados em US$ 45,6 milhões, em contratos de fornecimento de papel moeda com o Banco Nacional de Angola, entre 2001 e 2012.
Fonte O GLOBO
